iMatrix…

03.fevereiro.2010 por edmort

O iPad da Apple tem sido o assunto mais adorado/odiado no submundo geek. Eu não teria um. Muito caro para quem está pagando prestação do carro, da casa e as contas do cartão de crédito internacional da patroa (culpa do Strawberrynet Morangão).

Tá, eu poderia cortar os cosméticos da baixinha e comprar um iPad, mas dai eu teria de fazer sexo com ele… e sem USB não rola conexão!

Eu não me imagino nem mesmo com um iPhone, iPod ou mesmo um Kindle (que difere um pouco dos anteriores, mas é as geek as). Meu celular é um Nokia 5200 que toca MP3 e tem câmera pelo simples fato do Extra vendê-lo, na época, por R$ 179,00 em 10x no cartão Extra. Classe média é uma merda!

Eu sou nerd/geek old school demais. Em 1986 eu usava VideoTexto nos terminais de aeroportos (quando surgiu meu Nick EDMORT!). Hoje em dia todo moleque de 13 anos tem 100.000 identidades virtuais, mas em 1986, ter um Nick era coisa que muito poucos mortais entendiam. E nessa época eu já consumia Apple. Eram Apple’s IIc, mas eram Apple.

Hoje eu ainda me fascino com a tecnologia, mas já não tenho tanta vontade de possuí-la. Coisa de velho, pode crer. Os netos da geração iPad vão achar o iPad algo tão retardado quanto um papiro. Choque de gerações é uma constante no mundo do bicho homem.

Eu ainda gosto de um bom livro de papel. Com cheiro de traça. Pode ser que um dia o Jobs (não com o iPad), ou outro maluco, crie algo muito legal que substitua o livro. Pode até ser que eu venha a gostar dessa traquitana-a-ser-inventada, mas até lá… I’m so sorry!

Já o mesmo não aconteceu com a música. Vinil, só a discografia do KISS completíssima até Revenge de 1992. E ainda assim como relíquia. Quem sabe quando os deuses do Rock’n Roll resolverem arrebatar Paul e Gene, minha coleção em vinil valha algum dinheiro, para minhas netas, claro!

MP3 é o que há. Foda-se o CD. Eu não sei o que é CD há tempos… tudo o que ouço, ouço em MP3. Não num iPod, porque eu sou comprometido com minhas dívidas, mas num Foston (que funciona muito bem, obrigado) mais paraguaio que o Fernando Lugo.

Meu Fox (o das prestações) tem MP3 (Buster, óbvio) e um cartão SD (esse é Kingston, mas de paternidade suspeita) de 2Gb dá conta de minhas idas e vindas. Já o Fiesta tem um som da Sony, K7! Sim, mas pensa que eu fico nas fitinhas BASF? Tecnologia é o que há. GAMA POWER Cassete Adapter. Você põe essa mágica fita no K7 do carro e liga o conector na saída de áudio do Foston (ou de um iPod) e miraculo, discografia do Velhas Virgens completíssima rolando.

Tudo isso me faz pensar no que virá daqui, digamos, 30 anos, quando eu serei um velhinho descolado (se eu viver até lá!). Será que já vamos baixar coisas direto na cachola como em Matrix? Dúvido, mas me divirto com a possibilidade.

É isso!

só palavras…

02.fevereiro.2010 por edmort

vivo o turbilhão de movimentos

que me arrasta, me gasta, me basta

vivo a imprecisão, a incerteza

que me guia, me fia, me aniquila

vivo em meio a tudo e ao nada

sem medos, apenas receios

vivo

Esse eu respeito!

18.janeiro.2010 por edmort

João Rosa – Marujá – Ilha do Cardoso/SP

Despraiado Summer 2010: Ilha do Cardoso

18.janeiro.2010 por edmort

Sim, nós fomos e… voltamos!

Saímos de madrugada, 4h40 estávamos na estrada: votorantim, piedade, tapiraí, juquiá, piraquera-açu, cananéia.

Serrinha:

Paramos no Via Ecco, eu comi um pão-de-queijo (tradição) e tomei um café. O pessoal também comeu, mas eu não lembro o que… esqueci de ir ao banheiro na Via Ecco!

Cananéia:

Encontramos um estacionamento para deixar os carros. Era o estacionamento da Jô, uma tiazinha simpática que nos abordou. Quem cuidava dos carros era o primo do Tonho da Lua, com sua voz lânguida e físico etíope. Ele não sabe dirigir, por isso não manobra os carros. Lá eu dei uma mijada hectolítrica no precário banheiro do primo do Tonho da Lua.

Em seguida, fomos procurar o Doca, o “piloteiro” da “voadeira”. O meu brother in arms Rafael Gimenes já havia contratado o Doca pelo telefone. Em poucos minutos de espera, Doca aportou com sua lancha (que, confesso, era melhor do que o esperado). O Doca era um tiozinho na casa dos seus 50, maior style com seus óculos mormaii e pinta de surfista. O Doca confirmou que a facada seria de R$ 80,00 por pessoa (ida e volta). Embarcamos as mochilas e nós mesmos e zarpamos canal adentro. O motor da lancha era ensurdecedor e eu estava literalmente ao lado dele. O Doca foi paquerando, digo, conversando com o Rafa e nós fomos curtindo o cenário. Vimos alguns golfinhos, mas de longe. Uma hora depois estávamos aportando na Ilha do Cardoso, pagamos metade do acertado com o Doca e desembarcamos no núcleo Marujá.

Tão logo desembarcamos e já demos com o Seu João Rosa, o dono do camping. O Rafa já conhecia o figura e logo acertamos os detalhes financeiros (R$ 10,00 por pessoa) de nossa estadia. Seu João nos conduziu ao recinto, uma clareira cercada por árvores. Montamos as barracas (muita risada)… Estávamos em 5 aventureiros e montamos 4 barracas apenas. O Vitor ficou encabulado quando soube que Rafa e Reche dormiam juntos. Caso antigo! Com a infraestrutura 100% completa, fomos pro dar uma conferida na praia, que ainda estava lá! Oi mar, vamos pro bar…

Durante a caminhada ao buteco azul ocorreu um evento ímpar. Observando as figuras que habitavam/visitavam a Ilha do Cardoso encontrei Orlando Leite de Moura Junior, vulgo Junião para os íntimos, mas que lá era conhecido sob a alcunha de Orlandão, o agitador. Eu conheço o Orlando desde 1900 e guaraná de rolha, estudamos no mesmo colégio e eu era amigo do seu irmão, o Hévery, vivia na casa deles escutando um som. Orlandão me reconheceu e dai foi só abraços e risadas… Orlandão cunhou o grito de guerra do despraiado 2010: PUNK IS NOT DEAD! Deixamos Orlandão seguir seu caminho com seu amigo Trompetista e retomamos o caminho pro bar. Já instalados no buteco azul, percebemos que o dono do bar era a cara de um camarada nosso, o Giba, assim, o buteco azul passou a ser o bar do irmão do Giba.

Cerveja vai, cerveja vem, pedimos uma porção de peixe (feita no restaurante do Izidoro que ganhou o apelido de Matrix-Keanu Rivers) e uma pimentinha lascada. O peixe estava muito saboroso. A pimenta era da braba, mas o Rafa sem noção, lavou uma lasca de peixe com a pimenta e ficou 2h com a boca adormecida. Cerveja vai, cerveja vem e mandamos uma porção de batata frita caseira (sensacional) e uma de camarão. Seu João sentou-se para papar e, duas horas e muitas brejas (e mentiras) depois, foi pra casa apanhar da esposa que o esperava desde o meio dia para o almoço. Nas 5 horas que ficamos no bar do irmão do Giba, muitas figurinhas passaram para dar um alô: Orlandão (que teve de pedir desculpa ao seu João pela cantoria PunkHardCore após ser ameaçado com um bagre goela abaixo), o Pequeno Príncipe (cujo apelido dado pelo Seu João foi esse não dá conta) e a mina que o Rafa já pegou no Pub, o Toni Garrido depois da gripe com uma armação de óculos sem lente, o maluco Rastafari que reclamou que a gente estava bebendo toda a cerveja do bar… 24 garrafas depois e R$ 250,00 mais pobres, completamente zinabrados, fomos perambular na praia, para queimar o zinabre. O Rafa cortou o pé chutando um peixe seco que eu joguei nele e perdeu a máquina fotográfica do Reche virando estrela na areia, que foi achada logo depois! Eu, Andrew e Vitor exploramos uma casa abandonada enquanto Reche e Rafa deram um mergulho. De volta ao camping,  tiramos um cochilo para recuperar o equilíbrio, pois a noite teríamos o Forró. Capotamos nas barracas!

20h acordamos. Banho gelado no escuro tomado, fomos em busca de algo para calçar o estômago. Negociamos um misto-quente com a mulher do Pica-Pau (ela era a cara da Minnie Ranhenta com um humor mil vezes pior). Nossa surpresa foi que o misto-quente era com pão caseiro! Surreal. Mandamos umas cocas (bom especificar cocas=refrigerantes, pois na Ilha do Cardoso coca dá margem para más interpretações). Renovados pelo rango, fomos em busca do bar do Beto.

Detalhe, nesse ponto de nossa aventura, a única forma de se locomover é com lanternas, pois não há iluminação pública (sequer há ruas ou calçadas!) e a escuridão é total. Fomos nos embrenhando nas pequenas trilhas, zuando com as lanternas (momento Light Saber Vrummm, Vrommm). Chegamos no tal bar do Beto e o marasmo só não era completo por conta das nossas risadas de decepção. Forró? Aquele que o Rafa infernizou a Danile e a Brunna, necas de pitibiribas!

Voltamos ao restaurante da mulher do Pica-Pau, onde estava rolando um Fandango (música típica da região)… o Reche decorou a letra do papagaio-louro. Em meio aos espectadores, avistei o Gorpo, um cidadão muito louco com um chapéu igual o do Gorpo do He-Man. Só risadas. Perambulamos um pouco e um maluco puxou papo. Perguntamos onde era a balada e o cidadão disse que ia para onde estava o agito. Fomos junto e acabamos no mesmo bar do Beto. Agito? Só o da coqueteleira da morena do livro. Sentamos e pedimos uma cerveja. Ouvindo os papos do Serginho, uma figura que eu acho que era dono do bar do Beto (?), descobrimos que na noite anterior o Orlandão (aquele amigo meu) havia barbarizado no violão. Alguns minutos depois apareceu a versão Marujá do Seu Jorge com um violão. O cara não sabia tocar, mas se meteu a cantar Djavan (podia ser pior, podia ser Djavu!), Seu Jorge (burgueisnha na pior versão que eu já tivo o desprazer de ouvir), Capital Inicial, Cazuza… Pedimos uma caipirinha e eu preciso mencionar que a caipirin ha era SENSACIONAL. Nessa altura, Andrew e Vitos, ambos caindo de sono, pegaram uma lanterna e voltaram para o camping. Eu, Rafa e Reche ficamos… mais uma cerva e CHUÁ, caiu o mundo em chuva… pensei: FUDEU! Ficamos esperando a chuva aliviar, pegamos o caminho da roça e fomos pro camping, semi-zinabrados. Chegando lá…

Resumo: minha barraca alagou, eu não dormi a noite toda e fiquei feito um zumbi caminhando pela ilha. (Detalhes da minha noite de insônia virão em um próximo post)

7h da manhã, os caras roncando feito porcos. Desmontei minha naufragada barraca. Constatei que todas as minhas roupas, mochila e pertences estavam encharcados. Torci a roupa e soquei na mochila. Os camaradas acordaram, desmontaram suas barracas e arrumamos tudo. 8h estávamos na casa do Seu João para o café-da-manhã que ele havia garantido ser o melhor da ilha no dia anterior. O fato é que a mulher do Seu João, macha e puta da vida com a vadiagem (conosco) no bar do irmão do Giba, não fez pão. Seu João Rosa, manso feito coredeiro, voz baixa, pediu-nos desculpas e indicou o restaurante da mulher do Pica-Pau. E lá fomos nós tomar um café-da-manhã por módicos R$ 8,00 por estômago. Simples, mas gostoso, mandei 5 fatias de pão caseiro (o Reche comeu 7!), 3 pedaços de bolo, uma fatia de melancia, uma banana, três copos de suco, um de cada cor, e uma xícara de café. O Vitor pegou mamão e eu disse: isso vai dar (literalmente) merda. Dito e feito, antes de seguir para o Costão, o Vitor teve que visitar a casinha!

Costão é um paredão rochoso 3Km distante de onde nos encontrávamos. Fomos caminhando, curtindo o solzinho. No pé do Costão tem um bica. A água geladíssima deu um alívio ao calor da caminhada, andamos nas pedras, tiramos fotinhos e mergulhamos nas ondas. Outra refrescada na bica e voltamos para a casa do Seu João. Banho gelado, desodorante e roupinha limpa (e úmida no meu caso), fomos ao bar do irmão do giba esperar o Doca. Tomamos mais 12 brejas com clube social. O Gorpo apareceu e fez uma arte num chinelo havaiana que nos impressionou. Com um estilete ele fatiou as tiras do chinelo e transformou-no numa sandália com alcinha no calcanhar. Ali o Gorpo ganhou nosso respeito, apesar de eu dizer que ele queima (não só fumo, mas outras partes do corpo também). O chinelo era do marinheiro Popeye, que tentou nos convencer de uma tormenta no canal para que nós abandonássemos o Doca e fossemos com a escuna dele. Pau no c* do Popeye, seu Doca chegou, fechamos a conta no bar do irmão do Giba, tchauzinho para os malucos que estavam na área, inclusive pro Gorpo (que ganhou um pacote de Passatempo do Rafa… humm..) e embarcamos na voadeira. O Rafa queria mijar e o Doca parou a lancha, mas o Rafa ficou travado com o balanço das águas e o experiente Doca disse: pula n’água. Rafa pulou e arriscou ter o bilau comido pelos golfinhos. Chegamos em Cananéia.

Cananéia:

Pegamos os carros, o primo do Tonho da Lua se meteu a besta com o Rafa e tomou uma cortada (só no verbal, sem fight). Eu dei outra mijada de hectolitros no mesmo banheiro. Pagamos (fomos roubados num momento de desacordo entre o que a Jô disse o Tonhinho Lunar cobrou) e partimos para o Graal mais próximo. Eu dormi durante o trajeto. Lá no Graal comemos algo, eu tomei um RedBull que não adiantou nada, pois dormi de novo no carro. Seguimos direto até a casa do Rafa. Na serrinha eu fui acordado. Deixamos o Rafa. O Reche me deixou em casa debaixo de um temporal. Reencontrei a baixinha.

Ufa! Despraiado summer 2010 já deu saudades.

Por hoje é só!

posso ter esquecido de muitos detalhes e nem revisei o texto, por tanto nem venham reclamar! beijomeliga!

Natureza, lá vamos nós.

15.janeiro.2010 por edmort

Amanhã vou para a Ilha do Cardoso (os links? procure no Google, preguiçoso!) com um bando de amigos. Vamos deixar nossas confortáveis casas e toda a tecnologia que nos cerca para viver 48 horas como meros homens das cavernas… mentira, vamos levar lanternas, comida industrializada, barracas, colchões e tudo o mais que existe ao alcance de nossos bolsos para tapear a mãe-natureza!

Se formos pensar friamente, é uma puta fanfarronice. Dois dias no mato! Dormindo mal, comendo mal, respirando mal… não que o ar seja poluído, pelo contrário, mas com nosso condicionamento físico de experts em computação, vamos por a língua ao chão.

Comer raízes como os nativos?! Pirou né… vamos levar bolacha, barrinhas de cereal, gatorade e chocolate. Natureza sim, mas com guloseimas… Zé Colmeia perde feio… e beberemos cerveja, pois não podemos ficar sem o elixir da vida sedentária.

Voltaremos fedidos, com arranhões, picadas de insetos… mas com a alma lavada. Com aquela sensação de liberdade que durará até o exato momento em que o despertador toque, anunciando uma nova segunda-feira de trabalho. Mas a gente se vende fácil… 48 horas envolto pela pseudo-mãe-natureza e teremos conversa-fiada para o ano todo… vamos nos vangloriar de nossos feitos para os amigos, namoradas e esposas… e o faremos à exaustão em cada mesa de bar.

Alguns diriam que há na natureza humana um gene escondido que nos impele ao primitivo, ao contato com a natureza in natura… mentira! Somos homo tecnologicus perdidos na selva de pedra com faniquitos de Indiana Jones John Locke em Lost . Eu admito.

Mas vai ser legal… semana que vem eu posto o resultado (adulterado e contando vantagens) da aventura do Despraiado Summer 2010.

Até mais!

Ed Quarterman

2010… faremos contato?

06.janeiro.2010 por edmort

Saudações leitores! 2010 chegou.

Em 1984 eu tinha 11 anos e essa tenra idade não me permitiu compreender porra nenhuma de 2010 – O ano que faremos contato. O filme é uma sequência de 2001 – Uma odisseia no espaço, que eu assisti depois do 2010… muito tempo depois, já com os neurônios melhor paramentados, conferi 2001 e 2010 em sequência. Mas não vou discutir os filmes em si…

2010 está ai. Nenhum ET. Nenhuma forma de vida alienígena, boa ou má. Somos apenas nós. Nenhuma viagem interplanetária, nem colônias em Marte e, muito menos, computadores HAL 9000.

2010 começou matando muita gente, pelo menos em Angra dos Reis. Fúria da natureza? Aquecimento global? Eu aposto numa simples tragédia. Deslizamentos de terra acontecem desde que o planeta esfriou. Triste, mas verdadeiro.

2010 é mais do mesmo. Centenas de novos modelos de celulares serão vendidos. Seremos apresentados às novas embalagens de praticamente todos os mesmos produtos que compramos em 2009. A TV aberta exibirá todos os filmes que foram sucesso em 2006…

2010 teremos copa do mundo, o grande anestésico mental, principalmente dos brasileiros. Teremos eleições e… já falei que em 2010 tem copa do mundo? Ah…

2010 é o ano da virada. Ouvi isso de várias pessoas. Sei… 2009 não deu pra “virar”, mas 2010 é o ano… mas eu acredito, como diz meu post mais lido: Panta Rei!

2010 será melhor que 2009. Sim, eu sou um otimista moderado. Estamos melhor que a década passada, que o século passado, que o milênio passado. Apesar de tudo, estamos melhores, na média. Sei que há quem viva na merda, mas com celular. Sei que há quem passa fome, mas verá BBB 2010. Contradições são inerentes ao ser humano, nisso 2010 não será diferente.

2010 está ai. Viva-o.

Um abraço,

Eddie Death

Fim de semestre…

30.novembro.2009 por edmort

Vida de professor cumpre ciclos… difícil dizer qual o mais emocionante mas dentre eles, com certeza, o fim de semestre é o mais cansativo. Sobretudo quando se trata do 2º semestre!

Nas últimas duas semanas tenho aplicado provas e avaliações. Tem aluno que até chora. Nessa época, coincidente com a presepada do natal, surgem tentativas de suborno pedagógico travestidas de mimos natalinos. Mas também há os alunos mais ousados, que já “chegam chegando”, perguntando: “o professor prefere um 8 ou 12 anos?”

É assombroso pensar que no fim das contas a única coisa que importa é a nota final e… tchau! De certa maneira, o processo de formação, seja no nível médio seja no superior, não visa o percurso, o aprendizado, mas tão somente o “passei?”.

Mea culpa, mea maxima culpa. Nós professores caímos no redemoinho da dinâmica pedagógica. A escola também é uma empresa. Clientes, produtos, serviços. A lógica é orientada ao final do processo, a aquisição de um pedaço de papel que dá o start a outros processos, sejam acadêmicos sejam profissionais. Eu sei disso. Tento fugir disso… tento.

Mas serei honesto, tem muito aluno que se preocupa. Muito aluno que busca algo além do mínimo necessário. O grande problema (se é que isso é um problema) é que tem mais, muito mais, alunos apenas flutuando ao sabor do vento. É ai que minha ideologia meu idealismo borbulha. Entra em ebolição ao contato com a fervilhante realidade do utilitárismo ao qual a escola está inserida.

Cago para a maioria dos teóricos que me entucharam no mestrado. Cago para os marxistas de plantão que não sabem mais que remoer velhas ideias que nunca tiveram lugar. O que menos se tem na Educação (sim, a com E!) é a ousadia de romper com as teias de aranha, Ooopaaa… sem com isso cair na gosma pegajosa do neoliberalismo… educação não é um imã, há que se ter uma 3ª via… quisera ter mais tempo para (re)pensar a Educação… mas o fim de semestre está ai, provas para corrigir, notas para lançar, exames, recuperações, planejamentos e mais um purrilhãos de coisa para fazer.

Talvez nas férias eu pare um pouco para pensar em como perverter (no melhor dos sentidos) a Educação sem que meus patrões percebam… quem sabe eu possa dar um sabor de verdade àquele ritual cotidiano regado a saliva e grafado a giz… quem sabe?!

No mais, gente amiga que acompanha estas mal digitadas linhas, o certo é que eu entre num recesso e escreva menos ainda que já escrevo neste famigerado blogue… talvez, e é só um talvez, no início do próximo semestre, um novo ciclo, eu volte animado e com muitas novidades. Até lá. quem sabe onde me encontrar, me chame para beber e “blogar” cara-a-cara num desses bares da vida… e quem não sabe, bom… c´est la vie!

É de morte.

Criacionismo…

26.novembro.2009 por edmort

Me pediram para escrever sobre criacionismo… vamos lá:

Criacionismo tem a ver com aqueles e aquelas que defendem a ideia de que tudo o que existe, do universo ao homem, foi criado por uma ou mais entidades que, na falta de um nome melhor, denomina-se deus, ou deuses.

De modo geral, todos os povos, da antiguidade aos contemporâneos, possuem mitos de criação. Creditar a origem de tudo que nos cerca, e de nós mesmos, a alguma entidade metafísica é uma característica comum às diversas culturas, mas o comum para por ai, pois quando olhamos para como cada cultura descreve seu mito de criação, as coisas ficam meio nebulosas…

Nós, herdeiros da tradição judaico-cristã, aceitamos sem grandes ponderações os conceitos que nos foram legados. Paraíso, adão e eva, pecado original etc. Mas e outros povos? Vejamos:

Segundo a mitologia iorubá, no início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o oceano para garantir morada e sustento aos homens. Para a tradição religiosa chinesa, o caos inicial era como um ovo no qual entraram em equilíbrio os princípios opostos, yin e yang. Desse equilíbrio nasceu Pangu, gigante de cujo corpo se formou a água, a terra e o Sol. (http://super.abril.com.br/religiao/criacao-mundo-447670.shtml)

Bom, eu não vou levantar aqui todos os mitos de criação. Os exemplos acima já bastam para entender que cada povo, cada cultura, descreve a origem das coisas de forma totalmente condicionada por própria cultura e história.

Assim, pensando o contexto do povo hebreu e sua mitologia criacionista, a ideia de um único deus criador faz sentido visto tratar-se de um povo tribal, com uma rígida hierarquia social. Também faz sentido um deus masculino, mandão e bravo, visto tratar-se de uma sociedade patriarcal. O mesmo não acontece com os Celtas, cuja divindade é feminina, visto que nas sociedades Celtas as mulheres gozavam de melhor reconhecimento.

A grande questão que nos vem neste momento é: qual é o mito correto? Nenhum é a melhor resposta. Aliás, aquilo que uma cultura considera religião, outra considera mito e vice-versa. Os deuses gregos são para os crentes de fé judaico-cristã meras alegorias, assim como Javé e Jesus não passam de mitos para os hindus… compreendeu, né?!

Desnecessário dizer que para um ateu como eu, tudo não passa de alegoria. Mas para quem foi criado numa cultura religiosa X ou Y, incorporar seus mitos de criação faz parte do “catecismo”. E tais mitos não são questionados obviamente, pois a religião estabelece dogmas. Pouco importa o que as outras culturas tem a dizer sobre seus deuses e mitos, menos ainda a ciência com suas observações e experimentos.

Por mais estranho que pareça Adão e Eva, cristãos dificilmente abnegarão de seus mitos. Podem no máximo não levar a interpretação ao pé-da-letra, mas ainda assim defenderão a ideia de um deus que “cospe na terra, modela o barro e assopra o bonequinho”, mesmo que isso venha numa roupagem mais moderninha como o design inteligente.

Eu não vou nem levantar aqui as contradições que o mito judaico-cristão de Adão e Eva apresenta. São tantas que se eu insistir muito, logo aparece uma horda de tochas em punho para queimar o herege que vos escreve…

Em suma, os criacionistas tem como argumento os seus mitos de criação. Claro, com já disse acima, que cada um defende o “seu mito” como verdade suprema…

A ciência também tem seus mitos. O Big Bang é uma teoria. Parte de pressupostos científicos que podem ser medidos em certos limites. O mesmo eu posso dizer do Evolucionismo. Eu prefiro os mitos científicos e vivo bem com a ideia da grande sopa inicial e da seleção natural. Sabe por que? Porque os mitos científicos conseguem abandonar suas teorias tacanhas quando novos dados ou fatos se apresentam. As teorias científicas incorporam o novo e deixam a porta sempre aberta a novas especulações. As religiões, por sua vez, cristalizam-se, fecham-se e, mesmo diante de um mundo completamente novo, insistem em cerrar os olhos e acorrentar-se à imutabilidade de seus mitos. Uns chamam isso de “tradição”, eu chamo de “preguiça intelectual”!

Eu tenho muito mais coisa a dizer, mas o momento não me permite a fluidez da digitação… quem sabe em outro momento volto para falar mais sobre o criacionismo…

Por hoje é só!

O sentido da vida…

23.outubro.2009 por edmort

Hoje proferi uma palestra para professores e professoras sobre o uso das tecnologias na educação. Foi muito produtiva. Público atento e participativo. Aplausos e agradecimentos. Sai da universidade contente.

Prazer é o sentido da vida. Aquela sensação gostosa de estar feliz, contente, satisfeito ou realizado. Não há nada além disso. Todo o resto é meio, é processo, é uma forma de atingir o prazer. Prazer de comer bem, de ser amado, de se sentir bonita, de não fazer nada, de cumprir uma meta, um objetivo. Prazer de jogar conversa fora com amigos, de pisar descalço na areia da praia, de tomar sorvete com 5 tipos de coberturas; de dormir a tarde toda, de fazer sexo no sofá da sala.

Tem gente que gosta de sofrer. Até sente prazer nisso. Não admite, mas gosta de sofrer. Enfim, prazer. Arruma encrenca com os outros, xinga, ofende, se maltrata, se priva de tudo o que eu escrevi no parágrafo acima. Reclama, mas no fundo, –lá no fundinho– gosta e, em última instãncia, busca o sofrimento que o enche de prazer. Vá entender!

Os momentos nos quais mais me aproximo do sentido da vida são justamente aqueles que me provocam prazer. É isso que me motiva. Quando fazemos o que fazemos com (e por prazer), vira sublime. Do sexo ao origami, do trabalho ao churrasco, o importante é ter prazer, não importa por onde!

Assim, caro leitor, seja lá o que você for fazer hoje, faça com prazer e aprecie desmoderadamente o teu momento.

:)

Dia do Professor

14.outubro.2009 por edmort

15 de outubro

Não foi planejado. No começo era apenas uma forma de ganhar dinheiro fácil. Ensinar uma topeira ou outra a usar o Lotus123 era algo simples e rentável. Simples porque para um nerd como eu, bastou comprar um livro “Lotus123 Total”, perder 4 ou 5 horas lendo e perder outras 5 ou 6 horas ensinado duas dúzias de comandos /wcs /fs /wgp e ganhar uns trocados para comer uma pizza com um dois ou três canecos de chopp.

Depois a coisa começou a ficar mais estruturada. Fazer apostilas de introdução à informática, dos, qbaisc, lotus123, windows 3.1 e ensinar quinze ou vinte toupeiras a operar computadores, escrever arquivos .bat e programar em qbasic, além das macros em lotus123, passou a ser mais interessante que programar em Dataflex 2.3b num promissor estágio remunerado. Pedi a conta e fiquei só com as aulas, prenuncio de tempos futuros, mas nessa época eu ainda não sabia ler os sinais!

Uma consultoria aqui, uma assessoria ali, um cargo de chefia de CPD acolá e eu acabei na faculdade de Letras. Inglês era o objetivo, afinal literatura boa sobre informática nos anos 90 apenas em inglês. Mas dai veio o latim, o teatro, Shakespeare, Poe, a lingüistica e a didática… cai nas teias do magistério e pouco a pouco fui deixando as consultorias, o suporte técnico, o primeiro casamento e a certificação novell de lado, lecionar era um desafio. O instrutor de informática cresceu e virou educador, um salto qualitativo que ganhou fôlego nas leituras e nas muitas horas de estudo para saciar a sede de saber dos meus alunos de corredor, os melhores.

Já completamente emaranhado à sala de aula, voltei a ser aluno na filosofia. Paixão, a filosofia abriu novas possibilidades… uniu-se a computação, flertou com o universo quântico e enraizou-se no mestrado. Fez de mim mestre-multiuso-multifacetado-multiplicado. Fez de mim professor, educador, encantador, ilusionista.

Hoje não sei viver fora da sala de aula. O pó de giz é minha cocaína. O alvoroço pueril do ensino médio é meu combustível. A turbulência da universidade é meu combate. As pilhas de livros pela mesa são o meu sossego. As provas para corrigir são o meu tormento. O “olá mestre” do/a ex-aluno/a no corredor do shopping é meu conforto. A amizade dos rockers-alunos-parceiros é meu tesouro.

Sou professor, amo ser e morrerei sendo.