Fim de semestre…

30.Novembro.2009 por edmort

Vida de professor cumpre ciclos… difícil dizer qual o mais emocionante mas dentre eles, com certeza, o fim de semestre é o mais cansativo. Sobretudo quando se trata do 2º semestre!

Nas últimas duas semanas tenho aplicado provas e avaliações. Tem aluno que até chora. Nessa época, coincidente com a presepada do natal, surgem tentativas de suborno pedagógico travestidas de mimos natalinos. Mas também há os alunos mais ousados, que já “chegam chegando”, perguntando: “o professor prefere um 8 ou 12 anos?”

É assombroso pensar que no fim das contas a única coisa que importa é a nota final e… tchau! De certa maneira, o processo de formação, seja no nível médio seja no superior, não visa o percurso, o aprendizado, mas tão somente o “passei?”.

Mea culpa, mea maxima culpa. Nós professores caímos no redemoinho da dinâmica pedagógica. A escola também é uma empresa. Clientes, produtos, serviços. A lógica é orientada ao final do processo, a aquisição de um pedaço de papel que dá o start a outros processos, sejam acadêmicos sejam profissionais. Eu sei disso. Tento fugir disso… tento.

Mas serei honesto, tem muito aluno que se preocupa. Muito aluno que busca algo além do mínimo necessário. O grande problema (se é que isso é um problema) é que tem mais, muito mais, alunos apenas flutuando ao sabor do vento. É ai que minha ideologia meu idealismo borbulha. Entra em ebolição ao contato com a fervilhante realidade do utilitárismo ao qual a escola está inserida.

Cago para a maioria dos teóricos que me entucharam no mestrado. Cago para os marxistas de plantão que não sabem mais que remoer velhas ideias que nunca tiveram lugar. O que menos se tem na Educação (sim, a com E!) é a ousadia de romper com as teias de aranha, Ooopaaa… sem com isso cair na gosma pegajosa do neoliberalismo… educação não é um imã, há que se ter uma 3ª via… quisera ter mais tempo para (re)pensar a Educação… mas o fim de semestre está ai, provas para corrigir, notas para lançar, exames, recuperações, planejamentos e mais um purrilhãos de coisa para fazer.

Talvez nas férias eu pare um pouco para pensar em como perverter (no melhor dos sentidos) a Educação sem que meus patrões percebam… quem sabe eu possa dar um sabor de verdade àquele ritual cotidiano regado a saliva e grafado a giz… quem sabe?!

No mais, gente amiga que acompanha estas mal digitadas linhas, o certo é que eu entre num recesso e escreva menos ainda que já escrevo neste famigerado blogue… talvez, e é só um talvez, no início do próximo semestre, um novo ciclo, eu volte animado e com muitas novidades. Até lá. quem sabe onde me encontrar, me chame para beber e “blogar” cara-a-cara num desses bares da vida… e quem não sabe, bom… c´est la vie!

É de morte.

Criacionismo…

26.Novembro.2009 por edmort

Me pediram para escrever sobre criacionismo… vamos lá:

Criacionismo tem a ver com aqueles e aquelas que defendem a ideia de que tudo o que existe, do universo ao homem, foi criado por uma ou mais entidades que, na falta de um nome melhor, denomina-se deus, ou deuses.

De modo geral, todos os povos, da antiguidade aos contemporâneos, possuem mitos de criação. Creditar a origem de tudo que nos cerca, e de nós mesmos, a alguma entidade metafísica é uma característica comum às diversas culturas, mas o comum para por ai, pois quando olhamos para como cada cultura descreve seu mito de criação, as coisas ficam meio nebulosas…

Nós, herdeiros da tradição judaico-cristã, aceitamos sem grandes ponderações os conceitos que nos foram legados. Paraíso, adão e eva, pecado original etc. Mas e outros povos? Vejamos:

Segundo a mitologia iorubá, no início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o oceano para garantir morada e sustento aos homens. Para a tradição religiosa chinesa, o caos inicial era como um ovo no qual entraram em equilíbrio os princípios opostos, yin e yang. Desse equilíbrio nasceu Pangu, gigante de cujo corpo se formou a água, a terra e o Sol. (http://super.abril.com.br/religiao/criacao-mundo-447670.shtml)

Bom, eu não vou levantar aqui todos os mitos de criação. Os exemplos acima já bastam para entender que cada povo, cada cultura, descreve a origem das coisas de forma totalmente condicionada por própria cultura e história.

Assim, pensando o contexto do povo hebreu e sua mitologia criacionista, a ideia de um único deus criador faz sentido visto tratar-se de um povo tribal, com uma rígida hierarquia social. Também faz sentido um deus masculino, mandão e bravo, visto tratar-se de uma sociedade patriarcal. O mesmo não acontece com os Celtas, cuja divindade é feminina, visto que nas sociedades Celtas as mulheres gozavam de melhor reconhecimento.

A grande questão que nos vem neste momento é: qual é o mito correto? Nenhum é a melhor resposta. Aliás, aquilo que uma cultura considera religião, outra considera mito e vice-versa. Os deuses gregos são para os crentes de fé judaico-cristã meras alegorias, assim como Javé e Jesus não passam de mitos para os hindus… compreendeu, né?!

Desnecessário dizer que para um ateu como eu, tudo não passa de alegoria. Mas para quem foi criado numa cultura religiosa X ou Y, incorporar seus mitos de criação faz parte do “catecismo”. E tais mitos não são questionados obviamente, pois a religião estabelece dogmas. Pouco importa o que as outras culturas tem a dizer sobre seus deuses e mitos, menos ainda a ciência com suas observações e experimentos.

Por mais estranho que pareça Adão e Eva, cristãos dificilmente abnegarão de seus mitos. Podem no máximo não levar a interpretação ao pé-da-letra, mas ainda assim defenderão a ideia de um deus que “cospe na terra, modela o barro e assopra o bonequinho”, mesmo que isso venha numa roupagem mais moderninha como o design inteligente.

Eu não vou nem levantar aqui as contradições que o mito judaico-cristão de Adão e Eva apresenta. São tantas que se eu insistir muito, logo aparece uma horda de tochas em punho para queimar o herege que vos escreve…

Em suma, os criacionistas tem como argumento os seus mitos de criação. Claro, com já disse acima, que cada um defende o “seu mito” como verdade suprema…

A ciência também tem seus mitos. O Big Bang é uma teoria. Parte de pressupostos científicos que podem ser medidos em certos limites. O mesmo eu posso dizer do Evolucionismo. Eu prefiro os mitos científicos e vivo bem com a ideia da grande sopa inicial e da seleção natural. Sabe por que? Porque os mitos científicos conseguem abandonar suas teorias tacanhas quando novos dados ou fatos se apresentam. As teorias científicas incorporam o novo e deixam a porta sempre aberta a novas especulações. As religiões, por sua vez, cristalizam-se, fecham-se e, mesmo diante de um mundo completamente novo, insistem em cerrar os olhos e acorrentar-se à imutabilidade de seus mitos. Uns chamam isso de “tradição”, eu chamo de “preguiça intelectual”!

Eu tenho muito mais coisa a dizer, mas o momento não me permite a fluidez da digitação… quem sabe em outro momento volto para falar mais sobre o criacionismo…

Por hoje é só!

O sentido da vida…

23.Outubro.2009 por edmort

Hoje proferi uma palestra para professores e professoras sobre o uso das tecnologias na educação. Foi muito produtiva. Público atento e participativo. Aplausos e agradecimentos. Sai da universidade contente.

Prazer é o sentido da vida. Aquela sensação gostosa de estar feliz, contente, satisfeito ou realizado. Não há nada além disso. Todo o resto é meio, é processo, é uma forma de atingir o prazer. Prazer de comer bem, de ser amado, de se sentir bonita, de não fazer nada, de cumprir uma meta, um objetivo. Prazer de jogar conversa fora com amigos, de pisar descalço na areia da praia, de tomar sorvete com 5 tipos de coberturas; de dormir a tarde toda, de fazer sexo no sofá da sala.

Tem gente que gosta de sofrer. Até sente prazer nisso. Não admite, mas gosta de sofrer. Enfim, prazer. Arruma encrenca com os outros, xinga, ofende, se maltrata, se priva de tudo o que eu escrevi no parágrafo acima. Reclama, mas no fundo, –lá no fundinho– gosta e, em última instãncia, busca o sofrimento que o enche de prazer. Vá entender!

Os momentos nos quais mais me aproximo do sentido da vida são justamente aqueles que me provocam prazer. É isso que me motiva. Quando fazemos o que fazemos com (e por prazer), vira sublime. Do sexo ao origami, do trabalho ao churrasco, o importante é ter prazer, não importa por onde!

Assim, caro leitor, seja lá o que você for fazer hoje, faça com prazer e aprecie desmoderadamente o teu momento.

:)

Dia do Professor

14.Outubro.2009 por edmort

15 de outubro

Não foi planejado. No começo era apenas uma forma de ganhar dinheiro fácil. Ensinar uma topeira ou outra a usar o Lotus123 era algo simples e rentável. Simples porque para um nerd como eu, bastou comprar um livro “Lotus123 Total”, perder 4 ou 5 horas lendo e perder outras 5 ou 6 horas ensinado duas dúzias de comandos /wcs /fs /wgp e ganhar uns trocados para comer uma pizza com um dois ou três canecos de chopp.

Depois a coisa começou a ficar mais estruturada. Fazer apostilas de introdução à informática, dos, qbaisc, lotus123, windows 3.1 e ensinar quinze ou vinte toupeiras a operar computadores, escrever arquivos .bat e programar em qbasic, além das macros em lotus123, passou a ser mais interessante que programar em Dataflex 2.3b num promissor estágio remunerado. Pedi a conta e fiquei só com as aulas, prenuncio de tempos futuros, mas nessa época eu ainda não sabia ler os sinais!

Uma consultoria aqui, uma assessoria ali, um cargo de chefia de CPD acolá e eu acabei na faculdade de Letras. Inglês era o objetivo, afinal literatura boa sobre informática nos anos 90 apenas em inglês. Mas dai veio o latim, o teatro, Shakespeare, Poe, a lingüistica e a didática… cai nas teias do magistério e pouco a pouco fui deixando as consultorias, o suporte técnico, o primeiro casamento e a certificação novell de lado, lecionar era um desafio. O instrutor de informática cresceu e virou educador, um salto qualitativo que ganhou fôlego nas leituras e nas muitas horas de estudo para saciar a sede de saber dos meus alunos de corredor, os melhores.

Já completamente emaranhado à sala de aula, voltei a ser aluno na filosofia. Paixão, a filosofia abriu novas possibilidades… uniu-se a computação, flertou com o universo quântico e enraizou-se no mestrado. Fez de mim mestre-multiuso-multifacetado-multiplicado. Fez de mim professor, educador, encantador, ilusionista.

Hoje não sei viver fora da sala de aula. O pó de giz é minha cocaína. O alvoroço pueril do ensino médio é meu combustível. A turbulência da universidade é meu combate. As pilhas de livros pela mesa são o meu sossego. As provas para corrigir são o meu tormento. O “olá mestre” do/a ex-aluno/a no corredor do shopping é meu conforto. A amizade dos rockers-alunos-parceiros é meu tesouro.

Sou professor, amo ser e morrerei sendo.

ENEM, ENADE e o saco na lua…

22.Setembro.2009 por edmort

Duas siglas andam me enchendo o saco ultimamente. ENEM e ENADE, um avalia os alunos de ensino médio e o outro os do ensino superior. Preocupadas com os resultados nos tais exames, as instituições nas quais trabalho andam a inverter o sentido da educação…

De um lado a orientação para elaborar provas, questões e atividades nos modelos do ENEM/ENADE. Vamos treinar os alunos para reconhecer o estilo de questões para obter um melhor rendimento. Até regra de três eu ando ensinando, como forma de reconhecer que não é preciso conhecer o assunto, basta “sacar” o que a questão pede e aplicar a regra de três como método infalível de obtenção de acertos…

Tá, eu sou professor… eu sou o cara na sala de aula, não sou gestor. Gestores querem resultados, que viram matrículas, que viram dinheiro… sim, o dinheiro que paga o meu salário. Eu deveria estar em consonância com os esforços para preparar nossos alunos e alunas para os exames nacionais… afinal, o objetivo último da educação é grarantir bons resultados no momento de mensurar o que um aluno de ensino médio aprendeu em 3 anos e o que o aluno de faculdade aprendeu em 3, 4 ou 5 anos… e mensurar isso em um único dia!

Eu posso estar errado, mas alguma coisa está errada. É… devo ser eu o errado. Avaliação escolar é um dos temas mais complexos, embora todo mundo, educador ou não, tenha uma opinião sobre o assunto. Opiniões das mais retrógadas às mais vanguardistas, o fato é que avaliar é tão subjetivo que a proposta de um exame nacional por si só já é surreal.

Escolas públicas e privadas, nos âmbitos do ensino médio e superior, gozam de inúmeros paradoxos. O quesito qualidade sofre uma inversão drástica quando se compara o ensino público de nível superior ao privado. O mesmo acontece quando se faz a comparação entre o ensino público de nível médio ao privado. Realidades opostas pois, em algum momento, o produto de uma se torna o público da outra.

E as disparidades regionais? Exames nacionais encaram os alunos como abstrações. “O Aluno” é uma entidade abstrata e seu desempenho é mensurado, avaliado, balizado a partir dessa abstração. Os resultados, nesse sentido, são tão abstratos quanto. Vira tudo média… alunos são todos iguais, não importa a região, condições sócio-econômicas, estrutura familiar e outros detalhes bobos… todos devem estar enquadrados no modelão “aluno”. Professores idem. Outra abstração…

As instituições que podem, correm para se adequar às regras dos exames e “produzir” resultados que as coloquem nas melhores posições. Afinal o mundo é dominado pelo sistema e o sistema “no perdona”… e para garantir o meu dinheirinho no fim do mês, eu me prostituo… dou aula de preparação para ENEM, ENADE e o que mais vier por ai… afinal eu sou multiuso… filósofo, letrado, computeiro e conhecedor de muitas facetas do conhecimento humano, eu sou o cara ideal para “alumiar” os “sem luz” abstratos que se convertem em porcentagens… e “alumio” sem dó.

Eu não concordo com ENEMs e ENADEs… mas como diz a música dos Velhas Virgens:

eu não preciso de muito dinheiro mas preciso muito de dinheiro pra torrar… pra torrar…

e assim vou vendendo minha dignidade a preço de banana, pois o mercado tá cheio. Mas isso não me impede de ficar puto com a situação. E eu fico puto… muito puto!

Se por um lado “eles” podem ditar as regras e impor modelos e exames, por outro, dentro da sala de aula, sou EU quem manda… eu faço o que “eles” querem, mas do meu jeito, ao meu modo e, como diria Raul, “dando os toques”!

Beijomeliga!

Xuxa, fumo e outros bichos…

03.Setembro.2009 por edmort

Xuxa Meneghel quer processar o Twitter! Sasha escreve uma palavra errada, coisa a qual qualquer ser humano alfabetizado está suscetível, inclusive professores. O povo cai de paulada, pois papel de povo é cair de paulada. Xuxa alega que Sasha foi alfabetizada em inglês (?),  fica magoadinha e entra com processo contra twitter… quer saber, isso é falta de pica.

Fumantes agora só podem baforar suas pestilentas fumaças em espaços abertos. Tem um ou outro que acha errado proibir o cidadão de emitir sua fumaça podre. Bom, o direito de um fumante empestiar o ambiente termina no direito dos outros de NÃO respirar a tóxica e fedida fumaceira alheia. Simples.

Mas fumante é bicho porco em essência. Proíbidos de fumar nos pátios fechados duma certa universidade, esse bando de portadores de hálitos fedorentos se reúne nos espaços abertos e o resultado é: 1.500.000 bitucas/embalagens de cigarro jogados pelo chão, nos canteiros de flor, na grama. Custa pegar a bituca/embalagem e jogar nas lixeiras dentro do pátio? Claro que custa. Custa vergonha na cara desse bando de porcos.

Por hoje é só!

Pau para toda obra!

19.Agosto.2009 por edmort

No último mês tenho feito muitas coisas fora da minha rotina! Com a nova casa pronta, a mudança trouxe à tona necessidades que couberam ao distinto cidadão aqui.

Desmontei torneiras, desentupi canos, puxei toda a fiação telefônica, instalei a antena de TV… tudo isso regado a xingos e maldições. Minhas duas semanas finais de férias foram um misto de encanador, pedreiro, tapeceiro, eletricista e sabe-se mais o que!

Voltam as aulas e lá estou eu novamente envolto com 10 disciplinas diferentes e diametralmente opostas no que tange aos conteúdos e áreas do conhecimento. Sim, eu sou multiprotocolo, academicamente falando!

Após uma breve apresentação do meu currículo e das minhas atividades acadêmicas, um aluno perguntou: “E quando o Sr. dorme?” A classe riu. Ontem cheguei em casa às 22h50 depois de 4 aulas sobre Hardware e fiquei até 1h10 preparando o conteúdos de aula das outras 9 disciplinas. 6h00 já estava em pé novamente…

Eu preciso sair dessa vida promiscua de lecionar tudo o que eu sei. Eu gosto, faz meus neurônios terem orgasmos múltiplos, mas às vezes penso que seria tão bom lecionar sobre um único tema. Seria mais fácil profissionalmente falando, mas a verdade é que mesmo assim eu continuaria “estudando” tudo aquilo que me interessa… dar aula é reflexo, e não o propósito, do meu empenho em explorar o vasto universo do conhecimento humano.

Eu adoro a sala de aula e o contato com as mentes inquietas dos meus alunos (pelo menos de uma meia dúzia deles) mas quem sabe um dia eu não largo tudo, abro um buteco e coloco meu conhecimentos a serviço as conversas despretensiosas dos bêbados! É uma possibilidade… até lá, continuo na acadêmia, no templo do saber, no centro da produção do (ahahaha) conhecimento da (ahauhauha) humanidade.

É isso ai gente!

Beijo-me-liga!

Alive!

17.Agosto.2009 por edmort

Meu último post é de abril! Estamos em agosto! Cara, que relaxo…

Mas eu explico, andei numa correria louca com muita coisa e o blog ficou jogado as traças (existem traças virtuais?!)… porém, e sempre há um porém, nas segundas-feiras me sobra tempo ocioso à tarde… e espero aproveitar esse tempo para escrever minhas bobagens…

Cara, hoje eu vinha pela estrada pensando em como tem gente idiota que se arrisca por nada. Entre uma cidade e outra, são 70Km. 20 deles de estrada duplicada e os outros 50 pista única. O asfalto é bom, mas tem muito caminhão trafegando. Bom, há pontos onde existem faixas adicionais e neles você se livra dos caminhões.

Entretanto, e sempre há um entretanto, tem umas bestas que insistem em ultrapasar os mega caminhões nas curvas, nos pontos onde é proíbido realizar ultrapassagens, invadindo as faixas adicionais e, pasme, até indo o acostamento da pista oposta… só hoje eu vi 5 carros que quase, mas por muito pouco, não tiveram um encontro com o criador (pra quem acredita em criador, pois pra mim, essas bestas iriam virar carne moída e ponto final!).

Desde que fui contratado para trabalhar noutra cidade, já percorri o caminho umas 10 vezes… um dia, muito retardado, pois sempre tem um dia em que a gente está retardado, resolvi otimizar o tempo realizando manobras arrojadas ao volante e tudo seguindo a lei (levando em conta que os radares têm tolerância de 10%, 110Km/h de limite permite 121Km/h no real… dentro da lei!) sem fazer nada fora do regulamento, levei a velocidade nos limites permitidos e ultrapassei sempre que possível… praticamente eu era o SpeedyRacer num Mach 0,5.

Beleza, anotei os tempos e hoje, prudente e praticamente um senhor de 78 anos ao volante, segui o caminho na mais absoluta tranquilidade. Sem exageros de velocidade, sempre pouco abaixo do limite, ultrapassando somente quando havia faixa adicional ou quando era extremamente seguro, com ampla visão e segurança.

Sabem qual foi a diferença entre o ás(no)volante e o tiozão-motorista-de-domingo? 10 minutos. Sim, simples 10 minutos… oras, eu me arriscar a virar carne moída em metal retorcido para ganhar miseros 10 minutos?! O cacete, saio 10 mais cedo de casa e tchombas!

Como farei o caminho supracitado de 70km todas as segundas-feiras é certo que dentro em breve verei um animal metido a “Velozes e Furiosos – Desafio em Sarapuí” se arrebentar no meio de um caminhão com 20t de cana!

É isso ai criançada, no trânsito, não corra, não mate, não morra!

Até!!!!

café com cão!

16.Abril.2009 por edmort

Todas as manhãs, ou quase todas, preparo o café da manhã. Básico. O café fica por conta da cafeteira elétrica, apenas coloco as medidas de pó e água e aperto o botão liga. Enquanto a cafeteira trabalha, vou à padaria, que fica cerca de 200m de casa. Compro pão. Sempre levo moedas, pois o pão nunca passa de R$ 1,30. Quando volto para casa, o café já está pronto. Arrumo a mesa e acordo a patroinha.

Durante o café, assisto ao jornal. Primeiro o Bom Dia São Paulo e depois o Bom Dia Brasil. A manchete de hoje era a violência nos trens do Rio de Janeiro. Pessoas sendo agredidas e até chicoteadas para “espreme-las” nos trens. Barbárie total. Entre uma mastigada e outra no meu pão com manteiga, ouço os comentários “lugar-comum” dos âncoras. Entre um gole e outro de café, vejo os relatos indignados da população e até o depoimento do operador de câmera que flagrou a violência. Os agressores eram funcionários da empresa que administra o sistema ferroviário e um policial militar. Os agredidos, a população a caminho do trabalho. Quando a reportagem terminou eu já estava no segundo pãozinho. Daí vem o futebol, hora em que eu desligo a tv.

Durante o trajeto para a universidade minha mente entreteve-se com a condição humana. Século XXI e pessoas são chicoteadas para “caber no trem”. Isso não me espanta. Assim como a Montaigne, o humano não me espanta mais. Já tem um tempo que a descrença no poder da nossa racionalidade habita o meu ser.

Paro no último farol antes de chegar a universidade. Absorto em meus devaneios, vejo uma cena inusitada. Um vira-latas, desses bem sem-vergonha, todo estrupiado vem pela calçada, desce a guia rebaixada bem em frente a faixa de pedestres, atravessa a avenida pela faixa, sobe a guia do outro lado e segue pela calçada feliz e contente na sua condição de vira-latas. Algum romântico diria: “Olha só o cão, mais civilizado que o homem!”. Eu não sou um romântico. Bom, na verdade sou, mas daqueles já um tanto quanto azedos.

O fato do cão vira-latas ter atravessado a rua na faixa de pedestres enquanto o sinal estava fechado para os motoristas não tem um grande significado. Não há uma mensagem por trás desse ato. Na verdade, eu nem teria notado o fato se o pendrive com os mp3 do Kiss estivesse no rádio, pois eu estaria cantando e batucando no volante feito o tonto que sou quando ouço Kiss no carro. E, se num exercício mental, fosse possível a um cão, vira-latas ou não, escolher entre a sua condição canina e a condição humana, aposto que o cão desejaria ser humano. Demasiado humano!

Imperador?

16.Abril.2009 por edmort

Semana de provas, uma certa ociosidade no ar. Lá estou eu entretido com minhas caraminholas quando um aluno do 1o. semestre me interrompe para perguntar (sim, porque alunos de 1o. semestre ficam vagando feitos almas penadas pelos corredores da universidade, eles ainda não aprenderam que após uma prova ou é casa ou é bar!):

- ô profe, o que o sr. acha do adriano para de jogar bola?

- quem?

- o imperador!

- imperador? (cara de nada!)

- é profe, o que largou o futebol, o sr. sabe?!

- rapaz, futebol não é a minha praia…

- bom, então, ele decidiu parar de jogar bola! como pode?!

- qual o problema?

- ô loco profe, puta salário… o cara largou, fora o status… sei lá…

- certo ele!

- ô profe… cê tá brincando né?

- eu tenho cara de quem está brincando (cara de bravo!)

- não, é que, bom, sei lá… puta salário…

- o problema é o salário?

- ah profe, o cara conseguiu o sonho de todo mundo… ser astro do futebol…

- eu nunca sonhei com isso…

- ah, mas o profe é filósofo… outras paradas né…

- (cara de helloooo-u)

- então profe, acho que o cara pirou… drogas e tals… largou o futebol!

- puta salário!

- ééé profe… puta salário… e vai pagar multa ainda… eu não fazia isso!

- eu faria!

- ah profe… o sr. é cabeça… mas o adriano não podia largar!

- (cara de cabeça!) que fase…

Após esse alucinante episódio da minha vida acadêmica, pus-me a filosofiar (afinal sou um cara cabeça) sobre o assunto. Bom, eu nem sequer sabia exatamente quem era o tal imperador e os detalhes do acontecido, mas isso não vem ao caso. A sociedade se espanta se alguém decide deixar de lado um “puta salário” ou o status de astro “do que for”. E dai? E se o projeto de vida do cidadão é vender banana na estrada de Tapiraí? Deixa o peão ser feliz, porra!

Eu mesmo, quando decidi deixar minhas atividades profissionais no campo da informática e me dedicar exclusivamente à área acadêmica, também senti uns certos olhares de “ó o cara, pirou!”. Eu me sentia um herege, alguém marcado com a letra escarlate da vergonha social: deixou uma carreira promissora na informática para “dar aulas”! Só faltou alguém completar: “e um puta salário”!

A questão é: eu sou muito mais feliz “dando aula” que trabalhando das 8h às 18h programando sistemas ou implantando redes. Não deixei de amar a computação, apenas decidi ganhar o pão meu de cada dia de uma maneira diferente.

Assim, se o imperador que parar de jogar bola, tem todo o meu apoio, vai ser feliz, não importa por onde! :)