Archive for the ‘Letras de Músicas’ Category

Carta de um amor punk!

11.março.2015

Filosofias Cotidianas...

Há 14 anos eu encontrei uma folha de caderno dobrada em 3 partes caída na calçada em frente à casa dos meus pais. Na folha de caderno havia uma carta e alguns desenhos. Desde então, essa folha de caderno ficou guardada em minhas coisas. Hoje, remexendo em alguns papéis, reencontrei-a. O texto apresentado logo abaixo é a reprodução do conteúdo desta carta que, destaco, não é de minha autoria.

30x6x94 MEIA NOITE FRIA E SOMBRIASPLATTERxGRINDECORExHARDCORExCROSSOVER HOJE EU LI A SUA CARTA E ADOREIO QUE VOCÊ MUITO LINDA A ESCREVEULENDO O QUE VOCÊ PENSA SOBRE MIM EU NÃO AGUENTEI EFUI OBRIGADO A SE MASTURBAR PENSANDO NO TESÃO DEMORBID ANGEL QUE VOCÊ É, MINHA QUERIDA GOSTOSASÓ PENSO EM VOCÊ, E O KÊ SINTO POR VOCÊ É TÃO +ARDENTE QUE NÃO CONSIGUO EXPLICAR É UM FOGO QUE MEQUEIMA POR DENTRO E ME FAZ SEMPRE MUITO…

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De repente… 40!

27.março.2013

Parece que foi ontem! Eu tinha meus 6 ou 7 anos e brincava de ser o Ultraman no pátio da escola. Naquele tempo eu não pensava no futuro. Não num futuro distante, no máximo, no fim de semana. E a vida passa… quando você percebe, 40 anos se foram. Parece que foi ontem… minha memória já não me permite o acesso a fatos mais primordiais. Me lembro de pouca coisa antes dos 6 ou 7 anos, um flash ou outro, mas por auxílio de fotos e histórias contadas pela família que pelos meus próprios neurônios. Talves esse seja um dos reflexos dos 40!
Que diferença substancial existe entre a passagem dos 39 aos 40? Nenhuma, mera contabilização do tempo, coisa pra lá de relativa. Mas somos seres marcados por fatos e uma nova década de existência é um desses fatos da vida. Nada vai mudar do dia 28 para o dia 29, a não ser que haja um apocalipse zumbi, o certo é que o eu que aqui digita estas bem diagramadas linhas e o eu do dia 29 são a mesma pessoa, salvo um ou outro fio de cabelo por cair, salvo uma ou outra célula morta descartada ao longo do banho. Mas marco é marco e as pessoas vão dizer: é, chegou aos 40.
Pois é… 40, mas num corpinho de 39! Levemente abaulado na região abdominal, com os cabelos majoritariamente na cor original, embora a legião alva insista em ganhar terreno. Os sinais do tempo não me poupam, eles não poupam ninguém, nem mesmo os que tentam escamoteá-los nas plásticas, químicas e similares. E eu não costumo me preocupar com isso, deixemos a natureza seguir seu curso. E por falar em natureza, não escaparei à crueldade da natureza humana, formalizada nas piadas infames sobre uma das decorrências dos 40, o tal do exame de próstata, assunto este que será deliberadamente ignorado nas linhas que se seguem.
Estivéssemos na Idade Média, eu já seria um idoso. Chegar vivo e saudável aos 40 anos em tempos medievos era tarefa quase impossível. Mas em tempos modernos, vivemos mais. Viva a ciência e a tecnologia, que nos deu maior qualidade de vida. Mas nem tudo são flores, sem discorrer sobre o extremo da bomba atômica e outras mazelas que a mesma ciência e tecnologia nos proporcionou, o fato é que chego aos 40 trabalhando mais e fruindo menos! (Sim, é fruindo mesmo, de fruir, joga no Google). Chego aos 40 pagando mais imposto de renda, gastando mais tempo nas responsabilidades que a experiência nos brinda. Mas nem tudo são pedras, chego aos 40 ganhando mais que aos 30.
Chego aos 40 com algumas cicatrizes, muitos erros, alguns acertos e a certeza de que nada é certo, exceto a morte, cuja perspectiva eu gostaria de manter distante por mais 40 anos. Chego aos 40 mais calmo mas não menos inconformado que na adolescência com este “mundão véio sem porteira”. Aprendi a direcionar minha incompreensão, ora na filosofia, ora na educação, ora na cerveja. Cada uma em sua dimensão e benefícios próprios, a filosofia, o magistério e a cerveja me permitem fazer um uso criativo, libertário e transformador das minhas angústias com este mundo, vasto mundo. A filosofia me trouxe conhecimento, auspícios de sabedoria. A educação me permite pensar o novo, plantar sementes, espetar mentes. E a cerveja, ah… A cerveja é o catalisador da nossa experiência social. E é num gole desta mistura de maltes, lúpulos, leveduras e água que eu fermento minhas ideias, engarrafo pensamentos e degusto-os com aqueles e aquelas que me são queridos.
Chego aos 40 amando intensamente esta mulher que, ainda bem longe dos 40, divide comigo a alma e, dizem os teólogos e também os poetas, que as almas não têm idade 😉
Enfim, chega de chegar aos 40. Deixemos um pouco para os 50, 60, 70 e, quiçá, 80…

O dia em que a Internet parou.

04.março.2013
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Internet parou
 
Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia conectar
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém conectou, ninguém
 
O empregado não logou no ERP
Pois sabia que o Servidor também não ia botar
Dona de casa não logou no Farmville
Pois sabia que a vizinha também não ia logar
E o Firewall não bloqueou nenhum acesso
Pois sabia que o hacker também estava off line
E o hacker não foi hackear
Pois sabia que não ia ter onde sniffar
 
No dia que a internet parou, êêê
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou
 
E nas lan houses nem um hub a piscar
Pois sabiam que os usuários não iam navegar
E os usuários não foram comentar
Pois sabiam que os blogueiros também não iam mais postar
E os alunos não abriram o email
Pois sabiam que o professor não ia por matéria
E o professor não entrou no SciELO
Pois sabia que não tinha mais nada pra baixar
 
No dia que a internet parou, êêê
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou
 
A Apple não reclamou nenhuma vez
Pois sabia que o nem Jobs não podia resolver
E o Jobs não reencarnou diante disso
Pois sabia que o Google também ia dançar
E o Google não atualizou o Google Chrome
Pois sabia que a Microsoft [A fatal exception 0E has occurred at 00EH:C0011E]
E a Microsoft não lançou o ServicePack
Pois sabia que não ia funcionar
 
No dia que a internet parou, êêê
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou
 
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco eu sou, acordei
 
No dia que a internet parou, êêê
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou, ôôô
No dia que a internet parou
 
By Edgar Albuquerque
Em homenagem ao querido Rauzito!

Eu tô sentindo …

27.fevereiro.2013

Eu tô sentindo que a galera anda entendiada
Não tô ouvindo nada, não tô dando risada
E aê, qual é? Vamô lá, moçada!
Vamô mexe, vamô dá uma agitada!

Roger Moreira, Ultraje a Rigor

Hacker, Cracker e Popcorn!

17.agosto.2011

A mídia cinematográfica tem um grande poder informativo. Pena que em certos casos, a informação nos chegue de maneira equivocada, para não dizer tendenciosa. Veja, por exemplo, o termo Hacker. Na cultura dos desenvolvedores de programas de computadores, o hacker é um especialista em programação que busca sempre superar desafios intelectuais. Mas hacker não limita-se a isso, Eric Raymond*, guru da cibercultura, assim define o termo hacker: “Um especialista ou entusiasta de qualquer gênero”. Um hacker pode ser um engenheiro, astrônomo ou professor! Basta que dentro de sua atividade ele busque superar os desafios intelectuais que a mesma lhe impõe.

Já o cinema gosta de retratar o hacker de duas formas bastante peculiares. Ou trata-se ou do ultra-especialista em tecnologia que, seduzido pelo “lado negro da força”, se lança nas mais variadas atividades criminosas que envolvam o uso de computadores; ou do adolescente desajustado, de elevado Q.I. e com um círculo social que se limita ao seu vizinho (igualmente adolescente, desajustado e de elevado Q.I.) e seu hamster.

Essa forma estereotipada do Hacker ultrapassa as telas do cinema e passa a integrar o cotidiano dos telejornais. Não é raro assistir a um noticiário que qualifica de “hacker” um sujeito que, sem muitas habilidades em informática, se utiliza de programas prontos e técnicas rudimentares, muito mais ligadas à sua má-fé e à ingenuidade de terceiros, que a um alto conhecimento técnico. De especialista em alta tecnologia esse meliante não tem nada, mas graças à banalização do termo, hacker passou a ser sinônimo de criminoso!

Leonardo DaVinci não pensou em computadores na sua época, embora tenha sido uma das mentes mais brilhantes da humanidade, antecipando em seus projetos máquinas fantásticas para sua época, como o helicóptero. Nenhum hacker “do bem” da atualidade negaria a DaVinci o título de hacker, afinal esse é o espírito do hacker, um explorador dos limites do conhecimento. Einstein foi um hacker da Física. Pasteur um hacker da Química. Alguém duvida?

Crackers! Esse é o nome dado às pessoas que usam a tecnologia para cometer crimes. Nem sempre essas pessoas são hackers, embora isso possa acontecer. Em geral o cracker usa programas prontos e técnicas de engenharia social para enganar outras pessoas e conseguir acesso a sistemas de computadores. É comum hoje em dia receber emails falsos que pedem para você confirmar dados bancários na tentativa de roubar senhas de contas bancárias. Por trás desses emails encontram-se pessoas que na maioria das vezes sequer sabem programar. Usando programas prontos que circulam pela internet, seu único “mérito” é explorar a ingenuidade do usuário comum.

Na próxima vez que você ouvir uma chamada sobre a prisão de um hacker no noticiário da telinha, pegue sua pipoca e divirta-se, pois dificilmente veremos os telejornais livrarem-se da influência da telona.

* Eric Raymond é editor do The Jargon File:
http://www.catb.org/jargon/html/index.html
 
** publicada inicialmente em 2007 para o site do Senac de Sorocaba, e ainda atual!

O Tao das Séries!

13.novembro.2010

Sabe aqueles dias em que você acorda meio perdido, pensando que algo não está dentro da normalidade? Como se você estivesse em um flashback de Lost, sua mente te remete a situações do passado, mas não está muito claro se elas foram reais ou não, afinal nossa imaginação também funciona de maneira reversa, implantando falsas memórias ou, por vezes, distorcendo-as.

Eu já naveguei por mares metafísicos, mas minhas leituras, ainda adolescente, sempre me conduziram para uma seara mais científica. Do misticismo infantil dos Coelhos da vida, cai nas teias de Fritjof Capra. O Tao da Física tirou-me, literalmente, do chão. Essa leitura mostrou-me que aquelas ideias loucas do Richard Bach, de existências paralelas, nada mais eram que conceitos da física contemporânea romanceadas na veia literária de Bach. Capra me fez perder o encanto pelo lirismo e mergulhar na cientificidade da coisa…

Enebriado pelas leituras no campo da física quântica, da teoria das cordas e dos relativismos de Einstein, logo percebi que Capra era outro mago vendendo conceitos embalados em pseudo-filosofia oriental. Saiu Capra e entrou Prigogine, esse sim legítimo homem da ciência, abalou minhas estruturas com O fim das Certezas. Dai em diante fui me cercando de autores que levavam ciência a sério. Stephen Hawking lançou-me, sem dó nem piedade, no centro de um buraco negro, sequer tive possibilidade de gravitar próximo ao horizonte de eventos…

Tudo isso se deu na minha juventude, ou pelo menos no início dela, aos 20 anos, pois ainda me considero um jovem… mais maduro, mas ainda jovem!! Hoje, próximo dos 40, tudo aquilo que eu li e reli, afinal física teórica nunca foi o meu forte, está impregnado no cotidiano de um universo fantástico, que me trouxe de volta à magia do lirismo, repaginado sob novas formas de expressão: as séries de TV.

Sou fã de carteirinha de algumas séries. Algumas me remetem aos heróis da infância, como Smallville (sim, eu ainda acompanho Smallville, por duas razões não muito racionais: a) a mórbida curiosidade em saber que fim Kal-El leva nessa releitura do Homem-de-Aço; b) Erica Durance). Mas antes que você vá lá nos comentários me zuar, outras séries me agradam pela ficção científica: Battlestar Galactica, Caprica, Stargate Universe… e tem aquelas que exploram os conceitos que, como escrevi acima, tiraram-me do meu sono dogmático do mundo místico. Eis algumas:

Lost

Todo mundo conhece Lost. Se não conhece, deveria. Lost usa e abusa das interpretações e possibilidade sobre as implicações que as descobertas nos campos da física contemporânea. Viagem no tempo e realidades paralelas são pano de fundo de uma excelente trama, que tem seus altos e baixos ao longo de seis temporadas. O final de Lost dá uma escorregada mística, que não me agradou, mas ainda assim a série é uma ode às esquisitices contidas nessa casca de noz em que vivemos.

The Big Bang Theory

Eu rio muito com essa série. Rio porque entendo o que o Sheldon quer dizer quando faz uma ironia com o Efeito Doppler (certa vez expliquei o que era o efeito doppler ao meu sobrinho de 13 anos, que também acompanha a série e, ao final, ele me olhava como se eu fosse o próprio Sheldon!) A série é boa porque trata de assuntos científicos com o rigor devido sem perder o caramelo cômico que dá sabor ao que seria intragável em um documentário da BBC. O único problema da série e aquela loirinha feia que só atrapalha a vida do quarteto nerd… BAZINGA!

Fringe

Eu confesso! Parei de assistir Fringe no final da primeira temporada. Parei porque Fringe merece atenção total. Quase como Lost. A série a princípio parece ruim. Quando vi que um dos principais personagens era o vizinho do Dawson (Dawson’s Creek) pensei: deve ser uma bosta! (Olha quem fala, o cara assiste Smallville, adiantando a mente de algum possível leitor…). O fato é que Anna Tov fazia a série valer a pena. Fringe é uma série que trata de universos paralelos, ciência e uma vaca. Fringe é a série que eu vou assistir quando eu puder me fechar na sala de TV e ver do primeiro ao último capitulo sem pausas ou interferências…

Enfim, o contato com essas séries me permitiu resgatar toda aquela teoria lida sobre a física contemporânea e visualizar suas implicações e possibilidade numa plasticidade e fotografia que só a linguagem televisiva poderia fornecer!

Por hoje é só!

Feriado

01.abril.2010

Há tempos não escrevo aqui… este semestre o bicho está pegando, muitas aulas e poucos momentos filosófico-criativos… sigo no fluxo capitalista, vendendo minha força de trabalho e engrossando a mais-valia dos meus chefes, sem contar os cofres públicos que se fartam com meu imposto de renda…

Mas, alegria irmãos, é Páscoa. JC morre e “desmorre”, e assim tudo está salvo… menos a piada de mal gosto que se perpetua nos ovos de chocolate…

Bom, é o que tem pra hoje.
Fui.

22:16

17.setembro.2008

Agora são 22:16!

Eram, pois o tempo já correu, mas cá estou na frente do notebook, esperando meus alunos entregarem uma atividade prática. Na verdade, estou esperando o relógio marcar 22:30… hora mágica em que os alunos desaparecem (na verdade a maioria já desapareceu, mas há uns poucos que se aventuram a beber nas fontes de meu conhecimento até o limite, não por mérito, mas porque a Van só chega depois das 23:00)

22:20… eu queria um chopp! Uma porção de provolone a milanesa e mais um chopp!

Os alunos se agitam… 22:22!

Hora de desligar o note, guardar as listas de presença, livros e demais traquitanas que eu utilizo no exercício de minha arte… adeus!

Mais um chopp? Sim, claro!

🙂

Sinais de fumaça…

29.julho.2008

Salve Blogueiros e leitores! Sim, eu estou vivo… mais de 30 dias sem postar… efeito férias!

Muitos sabem, muitos não sabem, mas eu também fui ao despraiado e meus trip-friends já relataram nossas aventuras em seus posts:

http://www.fabioreche.com/blog/2008/07/22/parque-ecologico-jureia-itatins-despraiado/

http://rafaelgimenes.net/2008/07/22/parque-ecologico-jureia-itatins-despraiado/

Assim, eu não vou repetir muita coisa do que eles já disseram!

A viagem ao Despraiado foi heavy metal! Testei meus limites. Mas me diverti bastante!

O melhor de tudo nessa louca trip foi aprofundar os laços de amizade com os parceiros Reche e Rafa.

Ambos ex-alunos meus de ensino médio que acabaram virando bons amigos. Nessa odisséia ao Despraiado pude conhecê-los melhor e isso foi bastante gratificante. Compartilhamos o frio, a dor física, o stress, o ar puro, a alegria da conquista da Torre, muitas Skol’s e nossas histórias de vida.

Esse post fica em agradecimento ao Reche e ao Rafa pela oportunidade não só de subir à Torre do Telégrafo mas também ao companeirismo e a nossa amizade!

Obrigado irmãos!

PS.: Eu não poderia deixar de salientar que os momentos top desta viagem maluca foram 1) a expressão “cêis vão pro despraiado?”, do tiozinho da bicicleta totalmente desacreditado que os três nerds do cross-corsa estavam em busca desse fim-de-mundo… 2) o Reche me perguntando que horas eram na primeira noite (na ponte)… 23h50.. ahauhauhauaha…. só quem esteve lá compreende!

🙂

Agnóstico?!

30.maio.2008

Gnose em grego significa conhecer/conhecimento. O prefixo a, em grego, é negação, assim agnóstico está relacionado a não-conhecimento ou, a impossibilidade de conhecer. Agnóstico é aquele para quem certas coisas são impossíveis de se conhecer.

Meus alunos, quando me perguntam sobre religião ou deus, freqüentemente ficam espantados quando me declaro agnóstico. Primeiro porque não sabem o que é ser agnóstico; segundo porque confundem ser agnóstico com ser ateu.

Teo, em grego é deus (não o deus judáico-cristão, mas qualquer divindade), o a vocês já sabem, assim, ateu é aquele para quem deus não existe.

Eu, sinceramente, não sou ateu pelo fato de achar que o ceticismo (base do ateísmo) é tão problemático quanto o dogmatismo (base do teísmo).

Rejeito a crença dogmática em deus. Afirmar a existência de deus (ou deuses) é algo que depende única e exclusivamente da fé (crença) de cada indivíduo. Em geral, a crença na divindade nos é imputada pela herança cultural e depois aceita e interiorizada por alguns mediante o argumento da fé.

Também o ateísmo não me seduz, pois ao negar a existência, o faz em detrimento da ausência de provas empíricas e, ao meu ver, isso implica que a prova da existência de deus (ou deuses) não existe até este momento, mas disso não decorre que tal prova não possa vir a existir no futuro.

Por conta disso, fico na ala dos agnósticos. Se deus existe, ou não, é uma questão que escapa à compreensão humana. E, portanto, discutir os atributos de deus em favor ou contra a sua existência é pura perda de tempo.

Se deus existe, é um ser superior (seja lá o que isso signifique). Enquanto ser superior, está fora do alcance das categorias de compreensão humana. Assim, deus não opera em termos humanos. Dizer que deus é pai, amor, rancor ou o Raul Seixas, é mera projeção de sentimentos e caracteríscas humanas em algo que não é humano.

Deus pode muito bem seu uma gigante ameba, mas isso não é projetar conceitos humanos?

Deus pode ser uma forma de energia. Conceito humano!

Deus é o tudo. Conceito humano.

Note que qualquer descrição sobre deus acaba no dilema de ser, quando muito, uma metáfora para as categorias humanas de pensar. Mas, se deus é algo não-humano, então está fora do nosso alcance. A razão não pode explicar deus. Nem a fé.

A fé em deus é algo complicado e, ao meu ver, tentar explicar deus pela fé é um verdadeiro tiro no pé, com o perdão da rima pobre. Pelo menos para os monoteístas…

A história da humanidade apresenta um rol de milhares de deuses… Yaveh, Rá, Shiva, Zeus, Tupã, Ísis… cada cultura tem os seus deuses e, de uma forma ou de outra, “legitímados” pela fé. Embora o mecanismo da fé seja igual para um cristão como para um xintoísta, o objeto de sua fé é completamente outro. A fé depõe de forma escandalosa contra a própria legitimação de deus em culturas monoteístas, pois sendo deus único, a fé (para os crentes, uma característica humana dada por deus) deveria nos conduzir todos ao mesmo deus.

Enquanto algum deus (para não negar o politeísmo) não dá as caras, eu fico aqui na minha condição de agnóstico, com uma skol gelada e um saco de biscoito de polvilho… só filosofando!

Auf wiedersehen