Mas este é o meu ponto de vista…

29.maio.2012

Querido blog, olá! Faz tempo que não venho aqui…

A vida é uma caixinha de surpresas… Joseph Kimbler que o diga! A gente teima em dar sentido às coisas e, a bem da verdade, algumas coisas realmente fazem sentido, mas não todas! É algo para se pensar… talvez não, racionalizar demais as coisas e fugir da beleza do mistério. Eu tendo à racionalidade típica de um aspirante a filósofo mas, mutante que sou, metamorfoseio-me diante das circunstancias… há momentos em que minha racionalidade perde lugar, vira puro academicismo e, sinceramente, ando flertando mais com o não-acadêmico ultimamente.

A vida é uma caixa de chocolates! Melhor seria dizer que a vida é um engradado de cerveja. A vida nos embriaga, sorvemos e somos sorvidos por ela… a mesma vida, num sentido mais metafísico (olha o academicismo querendo dar o ar de sua graça), dá e tira… que bobagem! Eu não acredito nisso. Pura retórica. A vida é o que a gente faz dela. Tá bom, goza. Tá ruim, pule fora. Fácil de escrever, né senhor filósofo, difícil de viver… Eu já levei meus tombos, mas também já dei rasteiras… não me orgulho muito do que já fiz, mas no momento era o certo, ou julgava que era o certo. Quando fui derrubado, busquei sartreanamente a culpa do outro… hoje sou mais de olhar o espelho do passado, sou mais de ver minha cara lavada… somos frutos de nossas escolhas, eu dizia. Será?

Não, eu ainda não virei filósofo-belezinha-nova-era! Deveria, ficaria mais rico e poderia beber mais cerveja. Mas não, eu não vim a este planeta para isso… ainda me resta um pouco, muito pouco, de idealismo. Nessas andanças pela vida, a gente acha que sabe das coisas… Mas não era sobre nada disso que eu queria falar…

Palavras são capengas… Não expressam na integra o que sentimos ou o que realmente queremos dizer. Nossa cultura ocidental deu muito poder às palavras, ao verbo. O dito popular, que uma imagem vale mil palavras, ainda assim é capenga. Imagens são o que nos chegam aos olhos, elas, as imagens, também tem a sua capenguice, se é que a palavra existe (falei que as palavras são capengas), pois imagens são símbolos, a semiótica explica, joga no google, bem!

Os olhos, ah! os olhos… Eis a questão! Hamlet, Shakespeare que me perdoe a ousadia, errou a palavra, capengou mermão, olha ou não olhar, eis a questão. O lance esta no olhar… Se as imagens são o que nos chegam aos olhos, o importante mesmo está naquilo que os olhos dizem! E você deve estar a se perguntar, olhos dizem algo? Tudo! Eu afirmo sem medo…

Quando você olha nos olhos de alguém e vê tudo aquilo que as palavras não dizem, meu amigo ou minha amiga, fodeu! Dê adeus às coisas que você julgava importante… daqui pra frente é ladeira abaixo… As palavras nunca mais serão suficientes! Você vai usá-las, mas capengamente. Você vai dizer tudo que sente até que um silêncio se faça entre o espaço particular que se forma entre os olhares… sim, ai sim você vai sacar!

Mas não pense que é fácil. Podemos nos enganar… há que se aprender a ler os olhos como se teve que aprender a ler as palavras, com o diferencial que este último se aprende na escola, já o primeiro se aprende vivendo… e não se trata de o quanto se viveu, mas de como se viveu. Não tem cartilha que ensine (cartilha?), ler um olhar é algo que transcende… é um autoconhecimento, um autodescobrimento.

Mas esse é o meu ponto de vista… O meu olhar. Simples assim.

Au revoir!

Você não vai encontrar o amor de sua vida no metrô de Porto Alegre

22.março.2012

Fones de ouvido. De todas as cores. Todos plugados nas cabeças. O metrô de Porto Alegre, que não é metrô, é trem… Trensurb! Nos trens de Porto Alegre as pessoas vão e vem todas imersas no seu universo musical. Ninguém se olha, ninguém se vê e ninguém, muito menos, se ouve. Eu, o turista, com seu típico olhar, vejo a todos. Centenas de pessoas que nunca tinha visto, centenas de pessoas que nunca verei novamente… Mas não era sobre isso que eu queria escrever.

O amor de sua vida não está num trem em Porto Alegre, que de alegre não tem lá muita coisa. Porto Alegre é, pelo menos nos lugares que percorri, uma cidade mal cuidada. Prédios feios, sujos. Calçadas despedaçadas. Mas é pitoresca, esse ar de abandono, de descuido dá a Porto Alegre um charme marginal… mas quem sou eu, um turista de um dia e meio em Porto Alegre, para descrevê-la? Voltemos ao título…

O amor de sua vida deve estar por ai, mas não num trem em Porto Alegre. Pessoas vem e vão, de trem, metrô, carro e a pé. Pessoas se cruzam, se vêem, se olham, se notam, se perdem, se esquecem, se encontram, se reencontram… pessoas se, se, se… Mas não vai ser aqui no metrô, trem, de Porto Alegre que pessoas se, se, se… aqui no trem, que toda hora eu chamo de metrô, as pessoas apenas ouvem-se a si mesmas em suas playlists…

O amor de sua vida está ai, do seu lado, mesmo que seja num veículo ferroviário numa cidade do sul, numa capital que abriga um porto. O amor de sua vida é alguém que você vê, olha, ouve, nota, encontra, reencontra todos os dias… é alguém que está perto. Seja em Porto Alegre, São Paulo ou Manaus, o amor de sua vida está ai…

Eu não escrevo isso por experiência… Sei que o amor de minha vida não está aqui no aeroporto de Porto Alegre. Neste terminal de embarque há pessoas que, indo e vindo, apenas passam… a mulher que me olha sentada duas filas de bancos à frente, imaginando o quê eu escrevo (e o que eu ouço, pois sim, eu também estou com um fone de ouvido), não é o amor da minha vida… ela está sem fones de ouvido, turista!

O amor da minha vida, e o da sua também, esta ai. Olhe! Aprenda a olhar… ah, e tire os fones de ouvido, para que o amor da sua vida não ache que você está só de passagem!

🙂

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Porto Alegre, 22 de março de 2012.

Tempo!

26.fevereiro.2012

Tempo, essa incógnita!
A Física te explica, mas não te dá significado.
A vã filosofia sabe de ti e não sabe de ti, ao mesmo tempo!
Tempo!
Tempo que dura, que flui, que passa, que não passa…
Duas horas na sala de aula, duas horas nos braços da mulher amada,
Duas horas nunca são o mesmo tempo nem ao mesmo tempo.
Tempo, rio que não se atravessa duas vezes.
Tempo, aquele eterno intervalo espacial entre momentos
Momentos em que esqueço do tempo…

Boa noite 😉

Insônia

01.fevereiro.2012

“Tem dias que a gente se sente um pouco, talvez, menos gente…”, essa introdução de uma música do Raul Seixas me vem à cabeça neste momento que resolvi dar uma atenção a este esquecido blog… Mas não era de música que eu queria falar…

Perdi o sono. Evento raro nesta minha existência. O silêncio da madrugada nos convida a pensar… Coisa de filósofo, coisa de gente… as ideias rodopiam na cabeça… a maldita tese de doutorado, empacada na encruzilhada de outros tantos eventos que se justapõem aleatoriamente a si mesmos… o alívio da alforria de sentimentos e angústias que me assolavam à alma… a reunião de daqui cinco horas ocorrerá, momento em que este sono que falta agora virá com a fúria de mil e uma noites mal dormidas…

Hoje eu disse algo ao meu irmão, depois repeti aos meus amigos, os rockers, algo que imortalizo nas tramas binárias deste sombra digital-virtual do que sou: estou feliz.

Até a próxima insônia!

Apenas uma crônica.

28.dezembro.2011

Ao lado da biblioteca municipal há um parque, desses que pais e mães levam seus filhos para brincar. Roda-roda, balanços e até uma centopeia estão à disposição dos pequenos. Eu sentei-me num dos bancos, mas o sol de dez horas começou a incomodar-me. Avistei, bem ao centro do parque, vários bancos sob uma frondosa árvore. Não sei dizer que árvore era aquela, não entendo nada de árvores.

Não havia crianças. Num dos bancos, próximo ao lago, um casal se pôs a conversar. Entre uma crônica e outra, meu olhar se perdia no horizonte. Ao fundo, o som dos carros que trafegavam na avenida. Próximo a mim, o canto de um ou outro pássaro. Na verdade, tratava-se mais de seus piares que de seus cantos, mas, assim como de árvores, nada entendo de pássaros.

Eis que, mesmo sob aquela caridosa árvore, os raios solares das onze horas começavam a fritar minhas pernas. Troquei de banco. Nele havia um par de chaves, soltas e esquecidas, propositalmente ou não, sobre a madeira. Recolhi as chaves e busquei outro banco, visto que aquele apresentava demasiadas marcas deixadas pelas aves que lá gorjeavam.

Durante não mais que cinco minutos, fiquei confabulando que portas aquelas misteriosas chaves abririam ou, talvez, quais segredos escondiam. Retomei o livro de crônicas e pus-me a rir feito tonto com uma delas, de Ignácio de Loyola Brandão, a que tratava do caso das calcinhas no cinema… imaginei a cena no cinema do shopping, seria hilário.

Um casal de patos resolveu dar o ar da graça, ou seria uma dupla? Sei lá, também não entendo nada sobre patos. Me olharam de soslaio, atraídos pelas minhas risadas talvez. Talvez pensaram que eu lá teria um pedaço de pão ou algo que o valha. Continuei a ler e eles, o casal ou dupla, foram patear por outras bandas.

Já era quase meio-dia. Fechei o livro, olhei novamente ao meu redor e, com aquele par de chaves nas mãos, segui o caminho até onde havia deixado o carro estacionado. Próximo ao lago, imaginado o passado daquelas chaves, resolvi dar-lhes um destino. Enquanto dizia ao vento “que esta sirva para fechar o ano que se finda e esta outra me abra novos caminhos para o ano que se inicia”, lancei ambas nas águas do lago.

😉

Domingo!

11.setembro.2011

Não sei o que fazer
Não sei o que fazer
Eu saio por aí
Sem ter aonde ir

Assim começa a música Domingo dos Titãs… assim começa o meu domingo!

Hoje é dia de fazer almôndegas. Almôndega, aquele bolinho de carne que vai muito bem com espagueti, é um nome engraçado. Tente pronunciar almôndegas em voz alta e não rir… al-môn-de-gas… sei lá, acho engraçado porque termina com Degas, meu apelido dos tempos de colégio. Dégas, com tonicidade no “De”, ao contrário da pronuncia francesa, que coloca a tonicidade no “gas”. Degás.

Edgar Degas foi um pintor francês. Pintava bailarinas. Um dia, nas aulas de educação artística, a professora falando sobre Edgar Degas inevitavelmente me lançou à chacota… o único Edgar da classe seria o pintor das bailarinas… isso foi lá pela 3ª ou 4ª série, época em que meninos não gostam muito de bailarinas… o fato é que dali em diante eu era o Degas. Gostei, assumi o pseudônimo. Quando comecei a quebrar códigos de jogos de computadores, já adolescente, Degas era meu codinome (além de EdMorte)… Degas Games.

Quase trinta anos depois, vi as obras de Edgar Degas expostas em Barcelona. Suas bailarinas eram expostas junto às interpretações de um outro gênio das artes: Pablo Picasso. A exposição “Picasso mira Degas” não seria a mesma coisa se eu não fosse o Edgar que ganhou a alcunha de Degas nas aulas de educação artística!

Voltemos às almôndegas. Carne moída com alguns condimentos, ovos e farinha de rosca. Carne moída é o que, segundo The Wall, da banda Pink Floyd, fazemos de nossas crianças na escola… mas eu não quero falar de escola, não hoje, não num domingo!

Eu gosto de Pink Floyd, mas de algumas coisas só… Pink Floyd é muito calmo para minha mente inquieta. Sunday blood sunday, do U2, fala sobre a intolerância… e, por acaso hoje, domingo, é 11 de setembro… blood sunday!

Acho que domingo não é um bom dia para blogar… será?

Domingo, dos Titãs termina assim:

Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar
Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar
Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo
Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo

Até!

Hacker, Cracker e Popcorn!

17.agosto.2011

A mídia cinematográfica tem um grande poder informativo. Pena que em certos casos, a informação nos chegue de maneira equivocada, para não dizer tendenciosa. Veja, por exemplo, o termo Hacker. Na cultura dos desenvolvedores de programas de computadores, o hacker é um especialista em programação que busca sempre superar desafios intelectuais. Mas hacker não limita-se a isso, Eric Raymond*, guru da cibercultura, assim define o termo hacker: “Um especialista ou entusiasta de qualquer gênero”. Um hacker pode ser um engenheiro, astrônomo ou professor! Basta que dentro de sua atividade ele busque superar os desafios intelectuais que a mesma lhe impõe.

Já o cinema gosta de retratar o hacker de duas formas bastante peculiares. Ou trata-se ou do ultra-especialista em tecnologia que, seduzido pelo “lado negro da força”, se lança nas mais variadas atividades criminosas que envolvam o uso de computadores; ou do adolescente desajustado, de elevado Q.I. e com um círculo social que se limita ao seu vizinho (igualmente adolescente, desajustado e de elevado Q.I.) e seu hamster.

Essa forma estereotipada do Hacker ultrapassa as telas do cinema e passa a integrar o cotidiano dos telejornais. Não é raro assistir a um noticiário que qualifica de “hacker” um sujeito que, sem muitas habilidades em informática, se utiliza de programas prontos e técnicas rudimentares, muito mais ligadas à sua má-fé e à ingenuidade de terceiros, que a um alto conhecimento técnico. De especialista em alta tecnologia esse meliante não tem nada, mas graças à banalização do termo, hacker passou a ser sinônimo de criminoso!

Leonardo DaVinci não pensou em computadores na sua época, embora tenha sido uma das mentes mais brilhantes da humanidade, antecipando em seus projetos máquinas fantásticas para sua época, como o helicóptero. Nenhum hacker “do bem” da atualidade negaria a DaVinci o título de hacker, afinal esse é o espírito do hacker, um explorador dos limites do conhecimento. Einstein foi um hacker da Física. Pasteur um hacker da Química. Alguém duvida?

Crackers! Esse é o nome dado às pessoas que usam a tecnologia para cometer crimes. Nem sempre essas pessoas são hackers, embora isso possa acontecer. Em geral o cracker usa programas prontos e técnicas de engenharia social para enganar outras pessoas e conseguir acesso a sistemas de computadores. É comum hoje em dia receber emails falsos que pedem para você confirmar dados bancários na tentativa de roubar senhas de contas bancárias. Por trás desses emails encontram-se pessoas que na maioria das vezes sequer sabem programar. Usando programas prontos que circulam pela internet, seu único “mérito” é explorar a ingenuidade do usuário comum.

Na próxima vez que você ouvir uma chamada sobre a prisão de um hacker no noticiário da telinha, pegue sua pipoca e divirta-se, pois dificilmente veremos os telejornais livrarem-se da influência da telona.

* Eric Raymond é editor do The Jargon File:
http://www.catb.org/jargon/html/index.html
 
** publicada inicialmente em 2007 para o site do Senac de Sorocaba, e ainda atual!

Quão poderosos nós somos?

27.julho.2011

É, eu sei… você anda meio abandonado! Culpa do twitter… ideias surgem, viram 140 caracteres e desaparecem antes que eu consiga fazer o login em você! Talvez seja culpa do doutorado. Cada vez que penso em escrever sobre alguma bobagem qualquer, me bate um sentimento de perda de tempo… afinal o doutorado é (?) mais importante. No fundo, mea culpa, a culpa é minha, sou um ser humano! Mas hoje eu vim aqui me redimir… querido blog.

Fui provocado pelo meu irmão a escrever sobre How powerful are we?

É, veio assim mesmo, em inglês. Quão poderosos nós somos? Bom, eu sou um pessimista moderado e talvez eu comece dizendo que não, não somos! Mas não vou me precipitar. Cartesianamente, vamos dividir essa questão em partes: O que é ser poderoso? Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, poderoso pode significar

  1. adj., que tem poder de exercer domínio sobre alguém ou sobre alguma coisa;
  2. adj., que tem grande vigor;
  3. ad., que tem efeito intenso;
  4. s.m., pessoa que tem poder ou domínio sobre os outros;
  5. s.m. pl., aqueles que, numa sociedade, detêm o poder.

Vemos que nos casos 1, 4 e 5, poderoso está associado às relações poder entre pessoas e/ou coisas. Já nos casos 2 e 3 poder está associado a forças ou energias próprias. Assim, retomando a questão inicial, no sentido semântico, podemos dizer com certeza que sim, somos poderosos. Todos nós, em algum nível, exercemos poder ou domínio sobre outras pessoas ou coisas. Relações familiares, amizades, círculos sociais, trabalho, escola etc. Todos exemplos de esferas nas quais o poder se manifesta e nas quais somos, em alguma medida, poderosos. A vida em sociedade é um arranjo de poderes e, nesse sentido, enquanto seres sociais, somos poderosos. A questão fulcral, o quão poderosos somos?, encontra sua resposta em múltiplas dimensões, vejamos:

  • financeira: mais poderoso quanto mais rico;
  • sexista: homens são mais poderoso que mulheres, heterossexuais mais poderosos que homossexuais etc.;
  • educacional: mais poderosos quanto maior a escolaridade;
  • racial: mais poderosos quanto mais clara a pele;
  • estética: magros mais poderosos que gordos;
  • etc.

Na dimensão social de nossas vidas, fica claro que somos poderosos. O quão poderosos nós somos depende de circunstâncias e dos padrões que a própria sociedade, dinamicamente, estabelece. Mas você deve se lembrar que eu sou um pessimista moderado. Poder é ilusório. Transitório talvez seja um termo melhor, poder é transitório. Ser poderoso é nossa forma de sobreviver.

Metafisicamente falando, há quem acredite em um poder superior, um todo-poderoso. Nada mais simples, afinal se somos seres sociais condicionados a relações de poder, quando entramos no terreno da metafísica, esperamos que exista a mesma relação de poder e dominação naquilo que nos precede. E aqui surge uma faceta intrigante do poder. Estar sob o poder de outrém pode ser, pasme, poderoso.

Poderoso no sentido de do caso 3, pois a submissão tem um efeito poderoso sobre as pessoas. Sim, a submissão é poderosa. Submetemo-nos ao poder de outros muitas vezes pela segurança. Lembre-se que eu disse que ser poderoso é uma forma de sobreviver, mas é uma forma coletiva de sobreviver. É na relação poderoso-submisso que se encontra a sobrevivência. O que me conduz a minha afirmação-negação inicial: não, não somos poderosos. Estatisticamente falando, somos majoritariamente submissos à sociedade, à tecnologia, às divindades, à ciência… uma meia dúzia têm o poder, estão no topo. Mas ainda assim, essa meia dúzia de poderosos vive na ilusão.

Não somos poderosos, somos medrosos. O medo, esse sim, nos leva a dominar ou ser dominados. Simples. Medo da morte. Medo do fim. Medo do desconhecido. É o medo o motor da evolução do ser humano. Um reles organismo microscópico pode nos levar à morte, contra ele inventamos o poder da ciência, da medicina. Uma chuva torrencial pode causar inúmeras mortes, contra ela inventamos deuses e planos divinos. Escolher por onde ir, o que comer, onde dormir pode nos levar a morte num penhasco, numa erva venenosa, numa cova de ursos… e contra tudo isso inventamos os lideres, deixamos que eles escolham.

Quão poderosos nos somos? Zero. Somos pó de estrelas e pó de estrelas seremos!

😉

Edmorte!

Panta Rei II

02.junho.2011

Tudo passa… tudo muda… tudo está em constante transformação… fluxo… movimento. Ideias presentes na filosofia de Heráclito. Curiosamente Panta Rei (tudo flui) é o post mais famoso desde desconhecido blog. https://edmort.wordpress.com/2007/03/22/panta-rei/

O grande oráculo pós-moderno, o Google, coloca meu post em 2º lugar nas busca por ‘panta rei’, talvez por isso o meu blog tenha um modesto fluxo de visitantes… mas não era disso que eu queria falar hoje!

Panta Rei. Tudo flui… e eu vou fluindo… mudando, transformando, metamorfoseando-me… como diz o poeta-músico Oswaldo Montenegro

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

é em cada olhar que o ‘espelho de agora’ me devolve que me (re)conheço… nas fotos antigas que retratam aquele menino com cara de bobo, aquele adolescente rebelde-nerd-sem-causa, aquele jovem inspirado a mudar o mundo… nelas eu percebo o rio que passou. Nas águas da minha história encontro desejos não realizados, amigos perdidos… é, não foi do jeito que achei que seria.

Tudo flui… o tempo flui… a água quente do banho flui pelo corpo ainda sonolento nas manhãs frias de outono-inverno… é no banho que surgem minhas melhores ideias… é no fluxo d’água que lava a alma que meus neurônios funcionam melhor… mas assim como as gotas são absorvidas pela toalha, assim as ideias me escapam, dissipam-se com os vapores tão logo a porta se abre para o closet da realidade… tudo flui, a correnteza segue seu rumo.

Meu amigo Sócrates, não o que jogou no Corinthians, o outro, grego, sempre me dizia em nossas conversas de fim de tarde lá na minha antiga casa que uma vida não examinda não merece ser vivida. Grande Sócrates! Examinar nossas vidas é um exercício doloroso, pois tendemos a congelar os momentos fluídos de nossa existência, na ânsia de revivê-los, corrigí-los ou derretê-los… dói. Examinar a vida é compreender seu fluxo. É encontrar o equilíbrio entre a foto antiga e o espelho de agora. É compreender que o que foi, foi. O Devir, o eterno vir a ser, esse é o nosso timoneiro!

Acho que estou divagando… Panta Rei! Tudo passa, muda, flui… mudemos então o foco!

Eu sou um acadêmico. Este blog é meu subterfúgio ao formalismo e ao rigor metodológico… aqui as ideias fluem, confluem, fundem e confundem… aqui eu brinco de ser poeta, brinco de ser sério, brinco de não-ser… como acadêmico, estou em meio a um doutorado, em busca de um título, em busca de respostas acadêmicas, em busca de um salário melhor… maldito vil metal, em busca da empregabilidade… como aprendiz de filósofo (do filósofo real, não o acadêmico), estou em meio ao fluxo quântico da incerteza… incerteza de quando a porção acadêmica terá um tempo (como este) para ceder ao alter-ego subversivo que agora cata-milho neste pequeno aparato tecnológico que não funciona debaixo d’água!

Eu escrevo para mim. Escrevo para me reescrever. Escrevo para alguns poucos amigos físicos, parceiros de toda a vida, seja por sangue, seja por cerveja. Escrevo para uns poucos conhecidos que me encontraram no fluxo deste info-rio. Escrevo para aqueles que inadivertidamente caem nas águas do meu blog pelo timão do google. Escrevo para ser imortal.

Continuo divagando… continuo fluindo… meu ego me chama à realidade… meu alter-ego despede-se… divagando, devagar…

Panta Rei!

 

 

 

 

 

 

Que tal um post sobre vinil?

26.maio.2011

O título deste post me foi provocado pelo meu amigo rechones há muito tempo… muito tempo em termos de internet pode ter sido ontem à tarde, semana passada ou 5 meses atrás… tempo é relativo, psicológico e, como dizem as mulheres, cruel!

Meu primeiro vinil foi um disquinho de estórinhas do Sapo Edgar narrado pelo Silvio Santos. Meu segundo vinil eu não lembro. O primeiro vinil verdadeiramente meu, comprado com o meu dinheiro, foi do Thor, uma banda de Heavy Metal oitentista e relegada ao ostracismo. Depois desse, vieram algumas dezenas, uns cinquenta talvez.

Vinil era peça de museu, mas agora é vintage. Na europa encontrei vinil de bandas recentes, de álbuns recentes, com preços indecentes frente à bagatela do CD… lá na europa vinil é cult. Impressionante como algo que, supostamente morto, ressurge com força em certos guetos culturais… guetos de elite, pois bancar a onda da volta ao vinil não é barato.

Para as novas gerações, vinil é cultura morta. Um deus morto. O digital é o novo deus. E ainda bem que novos deuses surgem… Zeus é vinil, Jesus é digital. E o que realmente me interessa é o que vem a seguir. Eu sempre estou na espectativa da próxima nova-velha-tecnologia que ainda não surgiu mas que já terá data para falecer. O DVD já era. BluRay nem tenho, nem comprei, o que vem a seguir será melhor. Dai eu compro, mesmo que seja a volta ao VHS…

Vinil é uma bosta. Risca, pega chiado, entorta no sol e ocupa muito espaço. CD é uma bosta. Risca, engasga, descasca e entorta no sol. Bom mesmo será quando o MP3 estiver dentro da cachola. Um chip biosintético acoplado ao cérebro. O MP3 toca dentro da sua cabeça. Nada de gadgets, iBostas e traquitanas que consomem bateria… a bateria é o BigMac que será queimado para alimentar o biochip. Delírios…

Vinil é legal, eu gosto. Mas eu sou um velho. Mas isso é relativo…

Na mesa ao lado da minha sentou-se um colega de labuta com um iPad… velharia, é um iPad 1.0… meu netbook philco de R$ 639,00 em 12x no Wal-Mart  ri do iPad dele… Ele, ri do meu netbook… rimos todos.

Vinil me deu muitas alegrias. Fui muito feliz no embalo dos vinis! Mas também já desejei a morte acompanhado de um vinil. Já quis acabar com a angústia. O vinil não me salvou, mas esteve ali, juntinho, pronto a soluçar…

O cara do iPad foi embora. Fez o que fez rapidamente, pois o tempo é cruel. Tempo que mata a gente. Tempo que miraculosamente me sobra nesta manhã para escrever este mal digitado post.

Milhares de ideias me vem à cabeça… uma meia dúzia delas vira palavra concreta. Vinil foi uma que escapou ao turbilhão abstrato que condena minhas ideias ao meu limbo encefálico. Vinil sobreviveu no meu ideário…sobreviveu ao CD… tem seu lugar ao sol na sociedade do consumo… mas cuidado! Vinil no sol entorta.

Adios.