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Sofrimento

28.julho.2010

É interessante a necessidade quase generalizada de sofrer. Hoje pela manhã, assistindo a um desses programas matinais, ouvi a apresentadora proferir os seguintes versos de Pablo Neruda:

E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Bom, Neruda é um poeta e, não obstante, uma antena dos anseios e ideários de seu tempo. Sofrer é entendido como uma necessidade da vida humana, ou quase. Herança maldita do pensamento religioso, sofrer é uma sina que a humanidade carrega nas costas.

Balela! Neruda, com perdão da palavra, foda-se!

Quem disse que temos que sofrer? Deus? Zeus? Algum texto pseudo-sagrado qualquer? À merda com isso. Eu não preciso, necessito ou desejo sofrer. O sofrimento é uma contingência da vida e, convenhamos, deveras subjetiva. Morreu o “músico” filho da atriz? Eu não sofro com isso. Se fosse meu parente eu sofreria, mas o filho da atriz não me desperta uma nesga de sofrimento.

E por que sofremos? Por vários motivos. Quando algum ente querido, por exemplo, morre. Mas esse ente querido não morre para nos fazer sofrer. Seja lá qual for a causa mortis, câncer, aneurisma, bala perdida ou imbecilidade ao andar de skate, eventualmente todos morremos. Sofremos a perda, sentimos saudades, sim. Dai dizer que precisamos sofrer… à merda!

Sinto muito. Não há nada na essência humana que nos condene a sofrer. Nosso DNA não carrega o sofrimento. E, sinto mais ainda, não há um deus a exigir que soframos. Tudo muletas para fugir do inevitável. Somos meros conglomerados de átomos conscientes de nossa fragilidade e finitude. Diante de tamanha incapacidade de aceitar que não há plano nenhum, que somos livres para fazer, ser, gozar – ou mesmo sofrer – apelamos para o sobrenatural e jogamos a culpa de nossas frustrações para longe de nossas costas.

Eu não sei você, mas eu estou aqui para me divertir. Eventualmente sofro quando algo não dá certo, mas não aceito o sofrimento como uma pena capital/divina da qual não posso fugir. Na maioria das vezes sofro por culpa única e exclusivamente minha. E é ai que busco o melhor, a superação e o prazer.

Eu não nasci para sofrer.

Fui.